São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta terça-feira (02) que aprovou um empréstimo de US$ 552,9 milhões ao Iêmen. Os recursos deverão ser liberados em parcelas semestrais durante os próximos três anos e conforme avaliação dos técnicos do fundo. A primeira parcela, de US$ 73,8 milhões, já está disponível.
Em um comunicado, o Fundo afirma que o empréstimo deverá ser utilizado pelas autoridades do Iêmen para garantir a estabilidade da economia e ajudar na promoção do crescimento do país com inclusão social e geração de empregos. Aproximadamente 54% da população do Iêmen vive na pobreza e 45% dos jovens não conseguem emprego.
De acordo com o FMI, a economia do Iêmen cresceu no último ano, mas ainda tem grandes desafios pela frente. Em 2013, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do setor não petrolífero foi de 4%, e do setor petrolífero, de 13,2%. O PIB do país cresceu 4,8%. Esses indicadores, no entanto, não refletem a realidade iemenita. No começo deste ano, a produção de petróleo foi prejudicada por ataques de militantes opositores às instalações de exploração petrolífera.
O FMI afirma que o país tem progredido na condução da transição política, mas sua recuperação econômica ainda é insuficiente para reduzir a pobreza, gerar empregos e atender aos mais pobres. “As autoridades lançaram um ambicioso plano econômico para atender estes desafios e continuamente reduzir o alto desemprego e a pobreza generalizada do Iêmen”, afirma o comunicado do Fundo. Ainda de acordo a nota, o programa de empréstimo foi elaborado para solucionar os déficits do balanço de pagamentos e manter a estabilidade econômica enquanto protege os grupos mais vulneráveis.
Para que o plano de recuperação dê certo, o FMI recomenda que as autoridades iemenitas reduzam os subsídios aos combustíveis. Isso será possível com a implantação de um sistema de transferência de renda aos mais pobres, redução do déficit fiscal e pela melhora coleta de impostos. Essas medidas, diz o Fundo, irão liberar recursos para ser implantados em investimentos sociais e em infraestrutura.
Instabilidade
O anúncio do empréstimo ocorre no mesmo dia em que o presidente do Iêmen, Abd-Rabbu Mansour Hadi, dissolveu o governo e sugeriu a formação de um gabinete de união nacional. Segundo informações da agência de notícias Reuters, a iniciativa tem por objetivo acalmar protestos promovidos pelos Houthis, um grupo muçulmano xiita rebelde que há anos protagoniza combates armados na região norte do país.
Pelo menos uma das medidas anunciadas pelo presidente frustra recomendação do FMI. De acordo com a Reuters, Hadi atendeu parcialmente demanda do grupo rebelde e prometeu reduzir os preços da gasolina e do diesel em 30%, um recuo na decisão de cortar subsídios dos combustíveis. A agência acrescentou que o corte dos subsídios é uma medida impopular, embora sua manutenção sangre os cofres públicos.
O FMI critica os subsídios aos combustíveis não só no Iêmen, mas no mundo árabe em geral. Na avaliação da instituição, a prática custa caro e não atinge os que mais precisam de apoio estatal, pois todos, ricos ou pobres, podem comprar combustível subsidiado. O Fundo sugere que os governos substituam esta prática por programas de transferência de renda direcionados à população mais carente.


