São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o real é uma das cinco moedas que podem se internacionalizar nos próximos anos, se tornar uma das principais divisas utilizadas no comércio internacional e fonte de reservas financeiras. A rúpia, da Índia, o yuan chinês, o rublo russo e o rand, da África do Sul, também têm o mesmo potencial que o real, segundo o estudo “Internacionalização das moedas dos países emergentes: uma comparação entre riscos e recompensas”, divulgado na quarta-feira (19) pelo fundo.
O FMI afirma que, atualmente, quatro moedas são reconhecidas como “livremente utilizáveis” no comércio internacional: dólar norte-americano, euro, yen japonês e libra esterlina (da Grã-Bretanha). Essas moedas são responsáveis por 95% das reservas internacionais dos países, conforme dados do FMI. Dólar canadense, dólar australiano e franco suíço também são, segundo o estudo, eventualmente utilizados para compor as reservas internacionais e em transações financeiras. Segundo o levantamento, 65,6% das reservas estão em dólar, 24,9% em euro, 3,7% em libras e 3,6% em yen. As outras somam 2,2% das reservas.
Esta realidade pode mudar no longo prazo. “O sistema monetário internacional hoje é caracterizado por um punhado de moedas que atingiram variados graus de internacionalização, mesmo tendo o dólar e o euro como as principais moedas ‘globais’. O sistema expande-se em direção a uma grande gama de moedas de mercados emergentes, refletindo tanto os fundamentos poderosos [utilizados] nestas economias emergentes quanto o apetite de diversificação dos investidores…”, afirmam os técnicos do fundo no documento.
O relatório informa que a internacionalização pode trazer benefícios como a redução nos custos das transações financeiras e emissão de títulos em condições mais competitivas. Isso, contudo, reduz o controle das autoridades monetárias sobre suas moedas, aumenta sua volatilidade e, como consequência, torna os países que as utilizam “potenciais fontes de instabilidade”. No entanto, para o FMI, a diversificação de moedas internacionais é positiva. “A transição para um sistema multipolar pode ajudar a diversificar os riscos, facilitar o ajuste gradual global e prover incentivos para políticas sustentáveis de condução da estabilidade do sistema econômico.”
Segundo o FMI, embora existam poucos dados que confirmem que o real e as outras quatro moedas estejam se internacionalizando, “há evidências” de que aumentaram a quantidade de transações internacionais feitas com estas moedas nos últimos anos. “Por exemplo, o comércio internacional de derivativos cambiais cresceu 50% em real, dobrou em rúpias e rublos e aumentou 12 vezes em renminbi [que é o sistema monetário chinês, do qual a moeda yuan é parte]”, afirma o FMI.
O relatório observa que a China se diferencia dos outros países emergentes por ter um fluxo de comércio internacional muito maior. Enquanto a China respondeu por 9% do comércio internacional em 2010, o Japão foi responsável por 4,5%. O relatório prevê que, em cinco anos, os fluxos comerciais internacionais da China serão maiores do que os dos Estados Unidos. Outros países têm registrado crescimento na sua presença no comércio internacional ou, ao menos, mantido sua participação constante, como é o caso do Brasil e da África do Sul. Essa tendência, segundo o FMI, não deverá mudar nos próximos cinco anos.
O FMI prevê que as moedas de países emergentes podem se tornar protagonistas em “nichos” do comércio internacional. O yuan chinês tem condições de se tornar uma moeda global por causa do tamanho da economia chinesa e da importância do país no comércio internacional. Já o real, do Brasil, e o rublo, da Rússia, países que são grandes exportadores de commodities, poderiam ser utilizados no comércio regional e, também, ser uma alternativa de reservas financeiras ao dólar canadense e ao dólar australiano.

