São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou nesta quarta-feira (05) que pela primeira vez um programa de apoio financeiro a uma nação árabe em transição foi concluído com êxito. Em agosto de 2012, o FMI e a Jordânia assinaram um acordo que previa a adoção de reformas econômicas por parte do país e empréstimos trimestrais pelo Fundo, em um total de US$ 2,05 bilhões. O programa foi concluído na sexta-feira (31) com a liberação da última parcela, de US$ 400 milhões. Após alcançar a estabilidade, a Jordânia terá outro desafio: reduzir o desemprego, que atinge 13% da população.
Embora o FMI inclua a Jordânia entre as nações em transição devido à Primavera Árabe, as manifestações no país não resultaram na queda de seus líderes, como ocorreu no Egito, na Tunísia e na Líbia. Mas a Jordânia precisou adotar medidas para atender a demandas populares.
O FMI afirmou, em comunicado, que o acordo com a Jordânia foi bem-sucedido mesmo com diversos problemas regionais. “No curso do programa, a Jordânia foi atingida por muitos choques, sendo o pior deles os refugiados sírios. A Jordânia recebeu um amplo fluxo de refugiados. As autoridades estimam em mais de um milhão [de pessoas], ou aproximadamente 20% da população do país”, afirmou a chefe do programa no FMI, Kristina Kostial, em uma entrevista concedida ao próprio Fundo e divulgada nesta quarta-feira.
Alguns dos motivos que levaram a Jordânia a precisar de apoio financeiro foram provocados pela Primavera Árabe. Em 2011, o país importava gás do Egito a um preço inferior ao de mercado para produzir energia elétrica. Sabotagens nos gasodutos, porém, levaram a Jordânia a buscar outros fornecedores, o que elevou o custo do gás. No mesmo ano, o governo aumentou o gasto público ao conceder mais subsídios e aumento de salários. As medidas elevaram o déficit fiscal e consumiram as reservas internacionais.
A executiva do FMI afirmou que o programa de apoio à Jordânia tinha três objetivos: manter a estabilidade macroeconômica, adotar medidas mais justas para toda a população por meio da redução de subsídios e adoção de um sistema tributário eficaz, e ampliar o potencial de crescimento da economia.
Na avaliação de Kostial, o maior sucesso do programa foi obtido na manutenção da estabilidade econômica. Esse êxito foi alcançado com reformas no setor de energia e no governo e resultou na redução do déficit público. Já a promoção de medidas mais justas obteve sucesso “parcial”, pois, embora tenha eliminado subsídios para compra de combustível, o governo fez “reformas limitadas” para ampliar a arrecadação do imposto de renda.
O terceiro objetivo, que é ampliar o potencial de crescimento do país é uma tarefa mais difícil, em razão das instabilidades regionais. Mesmo assim, o governo aprovou leis para a adoção de parcerias público-privadas e para atrair novos investimentos. O país tem crescido, em média, 3% nos últimos anos.
A executiva afirmou que o país árabe tem uma dívida que corresponde a 90% do seu Produto Interno Bruto (PIB), e que sua necessidade de financiamento permanecerá elevada nos próximos anos. O documento afirma que há espaço para ampliar a arrecadação de imposto sobre a renda e é preciso equilibrar as contas da companhia estatal de energia elétrica, além de gerar mais empregos.


