São Paulo – O Brasil está conduzindo sua economia “no caminho certo”, adota as medidas necessárias para retomar o crescimento, porém ainda precisa ampliar a infraestrutura, reduzir o custo da atividade empresarial e reavaliar sua integração comercial afirmou, nesta sexta-feira (22) a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde. Ela visitou o Brasil na quinta-feira (21) e nesta sexta-feira para participar do 17º Seminário de Metas de Inflação promovido pelo Banco Central no Rio de Janeiro.
Em seu discurso, Lagarde afirmou que o Brasil e seus pares da América Latina obtiveram desde os anos 1980 até o começo desta década avanços em desenvolvimento social e econômico e citou como exemplos a ampliação da classe média, do acesso ao sistema bancário e a estabilização da inflação. Ela também observou que estes países foram atingidos pela crise global que se iniciou em 2008.
No entanto, o Brasil agora se esforça para recuperar o caminho do crescimento. Lagarde citou como exemplos deste esforço a recuperação dos preços administrados, como o da energia e do combustível, assim como o compromisso de registrar superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e de 2% nos próximos dois anos. O superávit primário é a economia que o governo faz para pagar juros da dívida.
“Um efeito colateral desta medida (de recuperar preços administrados) tem sido o aumento das pressões inflacionárias. Para evitar que este aumento afete as expectativas do mercado no médio prazo, uma política monetária de restrição foi aplicada desde o fim do ano passado”, observou Lagarde.
“Há indicações de que esta política está funcionando. Embora a inflação em 2015 vá ficar acima da meta em decorrência do aumento da mudança de preços, a expectativa é de que ela retome para dentro da margem em 2016 e continue a convergir para o centro da meta a partir de então”, afirmou Lagarde. “O Brasil está claramente no caminho certo”. A meta de inflação estabelecida pelo Banco Central em 1999 é de 4,5% ao ano, com variação de até dois pontos percentuais para mais ou para menos. A expectativa é que neste ano a inflação supere 8%.
Entre as medidas anunciadas pelo governo, além do aumento dos preços administrados, estão aumento de impostos em setores como o de cosméticos, fim de isenções e um corte no orçamento deste ano.
Por outro lado, para que o País volte ao crescimento robusto e inclusivo, Lagarde afirmou que é preciso avançar em três áreas. Uma é o desenvolvimento da infraestrutura por meio de concessões de portos, rodovias, ferrovias e aeroportos à iniciativa privada, como já está sendo feito. Outro desafio, afirmou, é o alto custo para a atividade empresarial. Fazer negócios no País é caro devido ao complexo sistema tributário.
Entre as sugestões, ela disse que simplificar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que é estadual, e taxas federais aperfeiçoariam “significativamente” o ambiente de negócios. Lagarde, por fim, afirmou que o Brasil precisa promover a integração comercial com outros países e blocos econômicos, política que permite que o País participe das “cadeias de valor global” e se beneficie da troca de tecnologia com seus parceiros.
Em sua passagem pelo Brasil, Lagarde visitou o complexo de favelas do Alemão, no Rio de Janeiro, se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e com empresários brasileiros.


