São Paulo – Gastos menores, aumento de receitas com telecomunicações e atraso nos reajustes salariais dos servidores públicos deverão levar a economia libanesa a obter neste ano um pequeno superávit primário. As reservas internacionais atingiram US$ 39 bilhões no fim de novembro e o sistema bancário tem se mostrado capaz de se adaptar aos desafios. Um documento divulgado nesta sexta-feira (12) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) indica, contudo, que a economia libanesa tem grandes desafios.
O documento do FMI foi divulgado após uma delegação de técnicos da instituição se reunirem com autoridades locais entre os dias 8 e 9 de dezembro e é assinado pelo diretor do Departamento para o Oriente Médio e Ásia Central, Masood Ahmed. No relatório final da visita, Ahmed observa que o Produto Interno Bruto (PIB) libanês deverá crescer menos de 2% em 2014, taxa que não é suficiente para impedir o crescente desemprego e o aumento da pobreza.
O Líbano está enfrentando desafios como o grande fluxo de refugiados da Síria, o que, segundo o FMI, afeta a já frágil economia libanesa, mesmo apesar da ajuda internacional que o país está recebendo. O FMI estima que os refugiados sírios no Líbano já correspondam a mais de um quarto da população libanesa, de aproximadamente seis milhões de pessoas.
Embora elogie a condução da economia para ampliar as reservas internacionais e para gerar superávit primário, o FMI também manifesta preocupação com o alto endividamento público do Líbano, que corresponde a 140% do seu PIB. O documento também alerta para a necessidade de reformas e investimento no setor de energia, hoje incapaz de atender a demanda.
Apesar destes desafios, afirma o documento, o Líbano tem oportunidades que podem ajudá-lo a retomar o crescimento. “Nas minhas discussões (com autoridades locais) observei que a queda nos preços do petróleo oferecem uma oportunidade única de revogar as isenções de impostos sobre a gasolina e o consumo”, afirmou. O documento também observa que o Líbano deverá ter em 2015 seu primeiro orçamento em dez anos, o que poderá enviar aos investidores um “poderoso sinal” de comprometimento com a redução da dívida publica, além de criar espaço para a implantação de programas sociais e investimentos em infraestrutura.


