São Paulo – O crescimento da economia da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, a geração de empregos e a melhora nas condições de vida dependem das negociações de paz de palestinos com israelenses. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o sucesso deste processo é fundamental para que a Palestina tenha de fato um crescimento sustentável nos próximos anos.
“A retomada de negociações de paz diretas com Israel aumenta as chances de que as condições econômicas possam melhorar, mas há o risco de que o naturalmente prolongado processo e as incertezas relacionadas a um pacote econômico impeçam uma ação mais efetiva”, afirma o relatório.
Segundo o documento, o Escritório do Representante do Quarteto (OQR, na sigla em inglês) está elaborando um plano que prevê investimentos estrangeiros em grande quantidade que irão exigir, contudo, que Israel levante as restrições atualmente impostas ao estado Palestino. O Quarteto é o grupo formado por Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Nações Unidas, incumbido em 2002 de mediar a paz na região. Ele tem como representante o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
“Até o momento, Israel não indicou que irá levantar quaisquer restrições e pode haver dificuldades pontuais de implantação [do projeto]. Um sinal positivo é a recente retomada de discussões diretas entre israelenses e palestinos sobre [como] aperfeiçoar o mecanismo de receitas aduaneiras”, diz o FMI.
Estas receitas são arrecadadas por Israel de produtos importados pelos moradores da Faixa de Gaza e da Cisjordânia e, em tese, mas nem sempre, repassadas ao tesouro da Autoridade Palestina.
Economia frágil
O estudo do FMI mostra que em 2012 a economia palestina sofreu um choque e cresceu pouco mais do que a metade dos anos anteriores. Em 2010 e 2011, o Produto Interno Bruto (PIB) da Faixa de Gaza e da Cisjordânia aumentou 10% ao ano, em média. Em 2012, a expansão foi de 5,9%.
“As restrições israelenses praticamente inalteradas em 2012 e as incertezas políticas minaram a atividade econômica, agravada por deficiências nas doações [de outros países], associadas ao acúmulo de pagamentos em atraso do setor público para o setor privado”, afirma o FMI, que identificou que no mesmo ano houve um desequilíbrio entre o grande aumento do consumo e das importações e um pequeno crescimento das exportações. O Fundo afirma que os setores de construção e de serviços foram os que mais contribuíram para o crescimento do país.
O levantamento indica que os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia estão mais dependentes de doações. Em 2012, 9,1% do PIB palestino foi gerado pelas doações, percentual que deverá crescer para 11,7% neste ano e cair para 9,7% em 2014, 9,1% em 2015 e 8,6% em 2016, devido às dificuldades enfrentadas também pelos países doadores.
Há também a previsão de que o déficit do país caia nos próximos anos. De 16,5% em 2012 para 11,2% do PIB. A inflação deverá continuar controlada em torno de 2,7%, mas o PIB crescerá a taxas menores. A expectativa para este ano é de expansão de 4,5%, 4% em 2014, 3,5% em 2015 e 3% em 2016.
Já o desemprego atinge 23% da população palestina. É maior na Faixa de Gaza, onde 31% dos moradores não têm trabalho, do que na Cisjordânia, onde o desemprego atinge 19% da população economicamente ativa. Entre os mais jovens a situação é pior: atinge 47,5% das pessoas com até 29 anos na Faixa de Gaza e 35,2% na Cisjordânia.
“As finanças da Autoridade Palestina não são viáveis no médio prazo se for mantido o atual modelo de financiamento de grandes déficits orçamentários com imprevisíveis fluxos de doação”, afirma o documento.


