São Paulo – As autoridades do Sudão estão obtendo êxitos no controle da inflação e no crescimento da economia do país, mas têm um cenário desafiador pela frente e não devem abandonar as políticas de ajuste e consolidação fiscal em curso. Esta avaliação foi feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que nesta segunda-feira (29) divulgou os resultados de reuniões realizadas entre os dias 14 e 25 de junho em Cartum com autoridades locais.
No documento, o FMI observa que o Sudão tem obtido avanços econômicos após se separar do Sudão do Sul, em 2011. A divisão, contudo, ainda impacta no desempenho econômico do país do Norte da África. Segundo as estimativas do Fundo, as autoridades sudanesas conseguiram implantar medidas de ajuste fiscal que levaram a um crescimento de 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. As mesmas iniciativas reduziram o déficit externo e começaram a fazer a inflação, que ainda é elevada, baixar. Em maio deste ano, os preços subiram menos de 20%.
Mesmo assim, o país tem desafios pela frente “devido aos baixos preços do petróleo e porque os conflitos que ocorrem no Sudão do Sul afetam as receitas relacionadas à exploração do petróleo”, afirma o Fundo. Essa queda de receita pode levar ao déficit fiscal e à falta de financiamento externo.
Quando os dois países se separaram, em 2011, o Sudão do Sul ficou com as principais reservas de petróleo e o Sudão, com as refinarias e o porto para escoação do produto. O Sudão do Sul ainda sofre conflitos internos, o que ameaça a produção petrolífera. “Além disso, políticas expansionistas de apoio à agricultura injetaram considerável liquidez na economia. Esses fatos poderiam pressionar a inflação e a taxa de câmbio”, alerta o documento.
O FMI também recomendou que o Sudão mantenha o foco na estabilidade econômica por meio de políticas fiscais “prudentes”, eleve impostos e priorize, nos seus gastos, o crescimento e o desenvolvimento social. Outras sugestões dos técnicos do Fundo foram limitar o volume do dinheiro em circulação para conter a inflação, permitir a flutuação cambial e aperfeiçoar o ambiente de negócios.


