São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima suas projeções de crescimento da economia global para 2018 e 2019, após o resultado estimado para 2017 ficar 0,1 ponto porcentual superior ao esperado pela instituição. Os dados constam do relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado nesta segunda-feira (22) em Davos, na Suíça, antes da abertura do Fórum Econômico Mundial.
Segundo o órgão, a economia mundial cresceu 3,7% em 2017 e deverá crescer 3,9% em 2018 e no próximo ano, 0,2 ponto porcentual acima das expectativas divulgadas em outubro, quando foi lançado o último relatório. A alteração, de acordo com o FMI, reflete dois importantes fatores: o aumento do impulso do crescimento global e o impacto esperado das mudanças recentemente aprovadas na política tributária dos Estados Unidos.
Por mais que seja bem-vinda, a recuperação atual não deixa a diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, completamente satisfeita. Em discurso feito antes da divulgação do relatório, ela destacou três pontos: cerca de um quinto dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento viu o seu PIB (Produto Interno Bruto) per capita cair em 2017; ao mesmo tempo em que a economia cresce, reformas necessárias não estão sendo feitas; e há uma incerteza em relação ao próximo ano, uma vez que o longo período de baixas taxas de juros deixou o setor financeiro mais vulnerável.
“Como venho dizendo recentemente, a hora de reparar o telhado é quando o sol está brilhando”, afirmou Lagarde. “Concluindo, certamente devemos apreciar esta temporada de impulso de crescimento, mas também devemos usar esse tempo para encontrar soluções duradouras para os desafios que a economia enfrenta em 2018.”
Brasil e árabes
O FMI alterou para cima também as expectativas de crescimento para a economia brasileira. O PIB nacional deverá crescer 1,9% este ano, segundo o último relatório da instituição, e em 2019, avançar 2,1%. Os índices superam em 0,4 e 0,1 ponto porcentual, respectivamente, as projeções divulgadas em outubro.
Na região do Oriente Médio, Norte da África e Paquistão, ainda existe expectativa de avanço em 2018 e 2019, mas elas permanecem modestas em 3,5%, segundo o FMI. “Enquanto os preços mais fortes do petróleo estão ajudando a recuperar a demanda interna dos países exportadores, incluindo a Arábia Saudita, o ajuste fiscal que ainda é necessário vai impactar nas perspectivas de crescimento”, destacou o relatório.


