São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta quarta-feira (2) um relatório sobre o desempenho da economia brasileira. Na "Nota de Informação ao Público", o Fundo elogia as medidas adotadas pelo País na crise de 2008 e os recentes apertos realizados pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central para conter o aquecimento da economia: combate à inflação, retirada do estímulo fiscal concedido na crise, administração do fluxo de capitais e redução do volume de recursos repassados ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas a instituição pede que o governo faça reformas importantes.
O documento afirma que o Brasil se tornou mais resistente a choques internos graças à estruturação sólida da política econômica, ao controle da inflação e da dívida pública. "Combinada com políticas sociais bem dirigidas, a maior estabilidade macroeconômica permitiu ao país tirar proveito da conjuntura externa favorável nos últimos dez anos para acelerar o crescimento e reduzir a pobreza e as desigualdades sociais a mínimos históricos", afirma.
O Fundo também afirma que o fluxo de entrada de capitais atingiu US$ 56 bilhões em abril deste ano, quase o dobro do que foi registrado em 2010 e que isso é consequência das perspectivas econômicas favoráveis e "rendimentos elevados". A insitituição observa, no entanto, que ainda há sinais de superaquecimento na economia e sugeriu que alguns setores, de maior risco, precisam de um aperto monetário maior. Não informou, contudo, que setores seriam esses.
O FMI alerta para o crescimento acelerado do crédito, que representava 20% do PIB em 2004 e subiu para 46% em 2011. Ainda de acordo com o Fundo, as autoridades econômicas introduziram medidas para conter o avanço do crédito.
No documento, o Fundo pede que o País enfrente o que chama de "rigidez estrutural de longa data" com a realização de reformas fiscais importantes. Entre elas, citou a flexibilização do orçamento, mudança no regime do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a reforma previdenciária. "Os diretores [do FMI] observaram que medidas para melhorar o clima de negócios e ampliar a competitividade reduziriam as taxas de juros, que são estruturalmente elevadas, e favoreceriam as perspectivas de crescimento de longo prazo", afirma o relatório do FMI.
A "Nota de Informação ao Público" é resultado de discussões bilaterais que o FMI mantém com os países membros da instituição. Nesta edição, o Brasil foi o escolhido. Para elaborá-la, os diretores e técnicos do FMI visitam o país objeto do estudo uma vez por ano, conversam com as autoridades econômicas, obtêm dados que refletem o desempenho da economia e elaboram um relatório com sua observação sobre o desempenho daquele país e o que autoridades locais podem fazer para que a economia cresça de forma sustentada.

