São Paulo – A Argélia continua a mostrar uma boa performance econômica sustentada pelo investimento público. No entanto, a queda na produção de petróleo este ano deverá fazer o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 2,5%, menos do que os 5% de aumento previsto para o setor não petrolífero. Estas são algumas das conclusões da equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) que visitou o país de 13 a 25 de outubro. A instituição divulgou comunicado sobre o tema nesta quinta-feira (27).
Os economistas do FMI afirmam que os investimentos em infraestrutura que o governo tem feito ajudaram a Argélia a enfrentar a crise econômica, assim como o aumento do salário dos funcionários públicos. O fundo afirma que o país se beneficiou este ano do aumento do preço do petróleo, mesmo tendo registrado queda em sua produção.
Os gastos públicos da Argélia cresceram nos últimos anos e são uma ameaça para a estabilidade no longo prazo. De acordo com o levantamento, o déficit público em 2011 deverá atingir 5% do PIB argelino, contra 2% registrado em 2010. A inflação deverá fechar o ano em 4%, embora o preço dos alimentos frescos tenha uma flutuação maior e chegue aos 4,3%. Para os economistas do fundo, a inflação sob controle é resultado de políticas econômicas prudentes adotadas pelo governo.
O bom momento vivido pela economia local não livra o país dos desafios, como as pressões inflacionárias que podem surgir no curto prazo e a necessidade de controlar o câmbio. Além desses, outros problemas podem surgir em 2012.
A taxa de desemprego está estável em 10%, mas precisa cair, segundo o FMI. A falta de trabalho atinge 21% dos jovens argelinos e 19% das mulheres. Uma das soluções para este problema é diversificar a economia e ajudar no desenvolvimento do setor privado. Além de gerar empregos, são as empresas particulares que vão manter o crescimento do país no setor não petrolífero, na avaliação do FMI.
“A deterioração do ambiente econômico internacional poderá derrubar o preço do petróleo e fazer piorar os balanços fiscais. Enquanto os programas de investimentos amadurecem, o setor privado pode se tornar o motor do crescimento do setor não petrolífero”, afirma o comunicado do FMI.

