São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou esta semana avaliações positivas sobre a implementação de reformas econômicas no Egito e na Arábia Saudita. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (17), o chefe da missão do Fundo para o Egito, Chris Jarvis, listou uma série de medidas que estão sendo adotadas pelo país em cumprimento ao acordo firmado com a instituição financeira para liberação de um empréstimo de US$ 12 bilhões.
De acordo com Jarvis, o Egito vinha enfrentando três grandes problemas macroeconômicos: um nas contas externas, com a redução da entrada de divisas, baixo volume de reservas e déficit no balanço de pagamentos; outro no front interno, com alto déficit fiscal e dívida crescente; e ainda um período prolongado de baixo crescimento, resultando numa taxa de desemprego de 12,7%.
Nesse sentido, o governo começou a adotar um pacote de reformas e, em novembro do ano passado, flexibilizou o regime cambial – até então controlado -, o que provocou a desvalorização da libra egípcia e o aumento da entrada de recursos externos no país. Em novembro também, o FMI liberou a primeira parcela de US$ 2,75 bilhões do empréstimo. A segunda poderá sair ainda no primeiro semestre de 2017.
Para Jarvis, a desvalorização da libra egípcia vai incentivar as exportações e, consequentemente, criar empregos nos setores exportadores.
O pacote egípcio, segundo Jarvis, inclui a introdução de um imposto de valor agregado (IVA) – já aprovado pelo Parlamento -, corte de subsídios dos combustíveis, controle da folha de pagamentos do setor público e, para compensar em parte o peso do ajuste, aumento dos gastos em programas sociais para 1% do Produto Interno Bruto (PIB). A implementação das reformas, em sua opinião, teve um bom começo. “O governo está fazendo o que disse que faria”, destacou.
Há ainda iniciativas no sentido de facilitar a emissão de licenças industriais, reformar a legislação de falências e promover maior inclusão das mulheres no mercado de trabalho. “E isso cria a expectativa de um real aumento dos padrões de vida no Egito nos próximos três anos”, declarou o executivo. Como exemplos de países que passaram por processos semelhantes, mas não idênticos, ele citou o Brasil e a Turquia.
Arábia Saudita
No caso da Arábia Saudita, também nesta terça-feira, o chefe da missão do FMI para o país, Tim Callen, detalhou, em coletiva, os dados publicados na última atualização do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais do Fundo, divulgado na segunda-feira.
Ele afirmou que apesar do Fundo ter reduzido a previsão de crescimento saudita para este ano de 2% para 0,4%, isso ocorreu basicamente em função da decisão do país de reduzir sua produção de petróleo, conforme acordo firmado nesse sentido pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas que deverá ocorrer alguma recuperação do crescimento dos setores não ligados à indústria da commodity. A previsão de avanço da economia não-petrolífera em 2017 é de 2%, menor do que já foi no passado, mas maior do que o registrado em 2016.
Callen ressaltou que houve uma recuperação da confiança dos investidores na economia saudita, após o lançamento bem-sucedido de títulos da dívida pública recentemente e do pagamento de débitos atrasados pelo estado. “A dívida saudita permanecerá atrativa mesmo que chegue a 30% do PIB. Isso ainda é baixo pelos padrões internacionais”, declarou o executivo, acrescentando que o país e seus fundos estatais acumulam ativos de peso.
Ele espera um certo relaxamento da política fiscal este ano, em comparação com os dois últimos, o que deverá ajudar a impulsionar os setores não-petrolíferos.
O executivo acrescentou que a Arábia Saudita aumentou significativamente a transparência de sua política fiscal, relaxou regras bancárias para garantir maior liquidez e anunciou reformas no mercado de capitais. Os sauditas lançaram recentemente um programa de reformas batizado de Visão 2030.
O país, de acordo com Callen, pretende controlar o déficit fiscal até 2020 por meio do corte de despesas, aumento das receitas não ligadas ao petróleo e adoção também de um imposto de valor agregado. A arrecadação saudita vem basicamente das exportações de petróleo e derivados, e a redução dos preços da commodity nos últimos anos provocou redução nas receitas do estado. A expectativa de déficit para este ano é de algo abaixo de 10% do PIB.
Muitos sauditas trabalham no setor público e um dos desafios do país, segundo ele, é gerar empregos para os nativos no setor privado, incentivar o empreendedorismo entre os locais e ampliar o espaço das mulheres no mercado de trabalho. Para tanto, os sauditas precisam investir em educação, treinamento e capacitação, para ter uma mão de obra qualificada para as empresas privadas. A taxa de desemprego está em torno de 12%.


