São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quarta-feira (16) a conclusão de uma missão à Tunísia com o objetivo de avaliar o desempenho econômico do país. Os representantes da instituição chegaram a um acordo com o governo local sobre a continuidade de um convênio que prevê a liberação de US$ 1,74 bilhão aos tunisianos em 24 meses iniciados em junho de 2013.
A avaliação, a quarta realizada, será submetida à diretoria executiva do Fundo no final de agosto e sua aprovação resultará na liberação de uma parcela de US$ 220 milhões. Desde a assinatura do acordo, o FMI desembolsou US$ 888,4 milhões para a Tunísia.
Segundo comunicado da instituição, o chefe da missão, Amine Mati, declarou que “a divulgação de um calendário claro para as eleições legislativas e presidenciais, programadas para o final de 2014, foi um passo essencial na transição da Tunísia para a democracia”. “Esse aumento de transparência na esfera política vai fortalecer a confiança na economia tunisiana e reduzir a atitude de ‘ver para crer’ dos investidores”, destacou.
O técnico ressaltou, porém, que a situação econômica do país segue frágil, sendo que o crescimento não é alto o bastante para reduzir o desemprego de maneira significativa, especialmente entre os jovens. A falta de trabalho e de perspectivas econômicas foi um dos estopins do levante popular tunisiano de 2011, que pôs fim ao regime vigente e deu início à Primavera Árabe.
A perspectiva de crescimento para este ano é de 2,8%, contra 2,3% em 2013, com “o bom desempenho do setor agrícola ajudando a compensar a atividade mais fraca do que o esperada no ramo do turismo”. A inflação acelerou de 5% no final de março para 5,7% no fim de junho, influenciada pelos preços dos alimentos. A escalada dos valores de gêneros alimentícios foi outro dos fatores que levaram aos protestos de 2011.
“Os desequilíbrios externos da Tunísia aumentaram, pressionando as reservas internacionais e o câmbio, que vem se depreciando”, declarou Mati. Esta situação mostra a necessidade do país obter financiamento externo, daí o acordo com o FMI.
O executivo ressaltou, porém, que o programa de reformas do governo vai bem e que as metas fiscais foram atingidas. “O desempenho fiscal foi melhor do que o esperado nos cinco primeiros meses do ano”, disse Mati.
Ele acrescentou que a redução dos subsídios à energia é bem-vinda, necessária para reduzir o consumo e para “criar o espaço fiscal para gastos prioritários com saúde e educação”. O FMI tem criticado de forma veemente a prática de subsidiar os preços dos combustíveis e da eletricidade no mundo árabe. Para o Fundo, os recursos despendidos desta maneira oneram excessivamente os cofres públicos e não atingem a população necessitada, pois o benefício é concedido a todos indiscriminadamente. A instituição sugere que os governos invistam na rede de produção social, ou seja, em serviços públicos que atendam principalmente os mais carentes, e em programas de transferência de renda, como é o caso do brasileiro Bolsa Família.
Mati disse também que houve avanços no combate à evasão fiscal, parabenizou o Banco Central pelo aumento da taxa de juros para reduzir a pressão inflacionária e recomendou a flexibilização do câmbio como forma de fortalecer as reservas internacionais. Ele destacou ainda o aumento do salário mínimo e a criação de um número único de identificação social que vai melhorar o mecanismo de foco dos serviços públicos nos que mais necessitam.


