São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera um crescimento fraco para as Ilhas Comores em 2015. O país do Norte da África sofre com uma grave crise energética, além de ter dificuldades no pagamento da folha salarial do setor público, no equilíbrio da balança comercial e na manutenção de suas reservas internacionais. A avaliação do órgão é resultado de uma missão liderada por Harry Trines, realizada de 01 a 16 deste mês, divulgada nesta segunda-feira (22).
“A situação em Comores piorou. A crise no setor elétrico, com persistentes quedas e cortes prolongados, tem afetado adversamente a atividade econômica”, afirmou Trines, segundo comunicado do FMI.
“A implementação, mais lenta do que esperada, do programa de investimento público, também contribuiu para a desaceleração do crescimento. A dificuldade na situação fiscal é composta por aumentos na folha salarial e o governo tem atrasado cada vez mais os salários do setor público desde meados de 2014”, destacou.
Segundo a nota do FMI, a inflação nas Ilhas Comores parece se manter moderada, embora o fundo afirme não ser possível ser exato quanto a isso já que, desde novembro do ano passado, não são recolhidos dados sobre os preços no país.
“No entanto, a valorização do dólar sobre o euro tem, por causa de sua alta dependência de produtos importados, levado a uma intensificação de pressões sobre a balança de pagamentos e reservas internacionais”, aponta Trines.
A crise energética pela qual passa o país também tem afetado a previsão de crescimento. “O cenário imediato para a economia de Comores continua difícil. Enquanto a compra de novos geradores deveria aumentar o fornecimento de energia, a crise no setor elétrico está longe de ser totalmente resolvida. Além disso, o programa de investimento público continua a encontrar atrasos em seu financiamento e execução. Com esta situação, a missão do FMI estima que o crescimento permanecerá fraco em 2015”, avalia o executivo do fundo.
De acordo com Trines, os principais desafios do país africano são mobilizar receitas adicionais e conter os gastos em setores que não são prioritários, de modo a cobrir as despesas fiscais deste ano, que incluem os salários em atraso do setor público e parcelas atrasadas da dívida externa.
Ele diz que o governo já identificou medidas que possam cobrir este déficit fiscal e que devem ser apresentadas ao parlamento em forma de um orçamento suplementar para 2015. Trines afirma ainda que o governo também pediu a ajuda do FMI para resolver a difícil situação econômica do país na forma de crédito rápido ou RCF (Rapid Credit Facility), crédito concedido pelo fundo a países em desenvolvimento com necessidade urgente em cumprir sua folha de pagamentos.
Uma nova missão do FMI às Ilhas Comores deve ser feita em setembro, quando o fundo irá avaliar o progresso da implementação do governo para equilibrar seu orçamento e avaliar a concessão do RCF.


