São Paulo – Investimentos feitos de acordo com a tradição islâmica estão crescendo em volume e se tornando mais importantes em países árabes e muçulmanos. Um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta segunda-feira (06) mostra que a participação das finanças islâmicas ainda é pequena em comparação com o total mundial, porém, está crescendo. O documento cita, por exemplo, uma pesquisa da consultoria Ernst & Young que revela que os ativos islâmicos cresceram a “taxas de dois dígitos” em uma década e saltaram de um total de US$ 200 bilhões em 2003 para US$ 1,8 trilhão em 2013.
Operações bancárias sob a lei islâmica correspondem a 15% do sistema bancário em países árabes como Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Sudão, Iêmen e Emirados Árabes Unidos, e não árabes, como Malásia, Bangladesh, Brunei e Irã. No Irã e no Sudão, afirma o documento, são as regras islâmicas que determinam o funcionamento do sistema bancário.
As finanças islâmicas proíbem, por exemplo, a especulação financeira e não permitem que um banco ou financiador de um projeto seja remunerado por meio do pagamento de juros. Aportes de dinheiro em apostas, atividades consideradas ilegais ou em negócios cercados de muitas incertezas também são proibidos. Uma das formas de investimento é por meio de títulos, os sukuks, que correspondem a 15% do total movimentado.
Em alguns negócios, o financiador é remunerado através de uma participação nos lucros resultantes do empréstimo feito. Ou seja, se uma pessoa empresta dinheiro para a construção de um prédio comercial, ela poderá ser remunerada pelo faturamento que esse prédio gerar.
O documento afirma que as finanças islâmicas são menos propensas a crises porque, por meio delas, o investidor fica menos exposto a dívidas, porque proíbem a especulação e são baseadas no financiamento de ativos, ou seja, de produtos, empresas e investimentos que deverão gerar lucros no médio ou longo prazos. Por outro lado, afirma o levantamento, na maioria dos países as finanças islâmicas são reguladas por órgãos baseados nas regras das finanças tradicionais, e faltam normas para regular sua atuação. Além disso, falta ainda economia de escala.
O estudo afirma que apenas 1,25% dos ativos bancários totais seguem os investimentos determinados pelo islamismo. Ainda segundo o documento, as finanças islâmicas estão concentradas aos países do Golfo, como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados, Omã, Bahrein e Catar, no Irã e na Malásia.
Na Arábia Saudita, em Brunei e no Kuwait, a participação de mercado das operações sob as finanças islâmicas é superior a 60% e no Iêmen, são superiores a 40%. Além dos sukuks, alguns dos negócios envolvidos sob as finanças islâmicas são os fundos de investimento, seguros, leasing e microfinanças. O documento atribui o grande crescimento das finanças islâmicas à expansão das populações islâmicas e ao fato de que algumas economias que seguem estas regras apresentaram grande crescimento nos últimos anos.


