São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na sexta-feira (03) a liberação de recursos para o Marrocos e a Jordânia. No primeiro caso, uma Linha de Liquidez de Precaução (PLL, na sigla em inglês) de US$ 6,21 bilhões foi estabelecida. O objetivo é fornecer aos marroquinos um "seguro" contra choques externos, de acordo com comunicado do Fundo.
O acordo terá duração de 24 meses e no primeiro ano vai disponibilizar US$ 3,55 bilhões. O governo marroquino, segundo o comunicado, irá usar o convênio como "precaução", como o próprio nome já diz, e não pretende sacar os recursos, a não ser que o país tenha que financiar seu balanço de pagamento em caso de deterioração da economia internacional.
O Fundo informa que o Marrocos tem adotado políticas econômicas sólidas e reformas estruturais que contribuem para um bom desempenho macroeconômico, com crescimento forte, inflação baixa e um sistema bancário resistente.
A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, disse, porém, que o petróleo em alta ampliou as pressões fiscais e externas ao país e, nesse sentido, os marroquinos enfrentam riscos decorrentes da crise na Zona do Euro e de novos aumentos na cotação da commodity. O Marrocos é importador de petróleo e a Europa é um parceiro essencial no comércio, investimentos e no turismo.
"[O acordo] dá ao Marrocos um seguro para enfrentar necessidades urgentes de financiamento caso estes riscos se materializem, fortalecendo a confiança do mercado e facilitando o acesso ao mercado privado de capitais", declarou Lagarde.
Jordânia
No caso da Jordânia, o FMI aprovou um convênio do tipo “Stand-By”, utilizado para financiamento do balanço de pagamentos. O acordo de US$ 2,06 bilhões, com liberação imediata de US$ 385,35 milhões, tem prazo previsto de 36 meses. O objetivo, de acordo com o Fundo, é apoiar o programa econômico do país para o período 2012-2015.
Segundo o FMI, a Jordânia enfrenta uma série de choques externos desde o início do ano passado. Entre os principais problemas está repetida interrupção do fornecimento de gás do Egito pelo Gasoduto Árabe, alvo de ataques terroristas. Isso levou os jordanianos a ampliar suas importações de combustíveis de outros produtores para geração de energia elétrica.
Além disso, a Primavera Árabe afetou a região como um todo com a redução do turismo, dos investimentos estrangeiros diretos e das remessas de árabes que moram e trabalham em outros países.
Isso ampliou o déficit em conta corrente e reduziu o crescimento do país. Para compensar, o governo, de acordo com o Fundo, amenizou o impacto social com o aumento de subsídios e de salários, aumentando ainda mais a necessidade de financiamento do setor público.
O programa jordaniano prevê metas como a redução em 6% do déficit primário e de 3% nas perdas da estatal de energia elétrica, afetada pelo excessivo aumento de gastos com a importação de combustíveis.
“As autoridades jordanianas desenvolveram um programa econômico que visa atingir estabilidade externa e fiscal de uma maneira socialmente aceitável, ao mesmo tempo em que fortalece as perspectivas de crescimento”, afirmou Lagarde, segundo comunicado.

