São Paulo – A economia do Oriente Médio e do Norte da África (Mena) deverá crescer 4,2% em 2012 e 3,7% em 2013, de acordo com o relatório Previsão Econômica Global (WEO, na sigla em inglês) divulgada nesta terça-feira (17) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Este relatório é uma revisão da versão de janeiro e também prevê uma melhora dos indicadores econômicos globais. O PIB dos países do Mena vai crescer em 2012 mais do que a estimativa anterior. Antes, a previsão era de avanço de 3,6%. Já para 2013, a previsão era crescer 3,9%. Ela foi revista para baixo e chegou a 3,7%.
O relatório do Fundo prevê dificuldades financeiras para os países que importam petróleo. Esses, indica o levantamento, seriam prejudicados por uma elevação dos preços do petróleo, mas também pelo baixo fluxo de capitais e pelas quedas nas receitas turísticas provocadas pelas instabilidades políticas que atingem a região. Já os países exportadores de petróleo deverão aumentar a produção por causa da queda das vendas do petróleo do Irã. Entre eles, Iraque, Arábia Saudita e Líbia deverão produzir mais.
Tanto importadores como exportadores de petróleo podem, contudo, ser contaminados, nas palavras do FMI, por um eventual agravamento da crise econômica na Europa. Mesmo com esse risco, o Fundo prevê que, além do aumento do PIB, os países da região deverão ser beneficiados pela queda da inflação, dos cerca de 9,5% em 2011 para 8,75% em 2013. Os dados da Síria e Líbia não foram contabilizados neste levantamento.
Segundo as previsões do Fundo não é apenas a região do Oriente Médio e do Norte da África que deverá registrar melhora na sua atividade econômica. As revisões do Fundo previram que a economia global deverá crescer 3,5% neste ano. A previsão anterior, divulgada em janeiro, era de crescimento mundial de 3,3% em 2012. Já para 2013, o Fundo estima aumento de 4,1% no PIB global, 0,1% a mais do que esperado anteriormente.
Na avaliação divulgada junto com as previsões, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, afirma que embora a situação das economias desenvolvidas e emergentes esteja melhor do que em 2011, ainda há riscos de que a crise financeira prejudique a recuperação. A terceira e a quarta maiores economias da União Europeia, Itália e Espanha, respectivamente, estão em recessão e registrarão queda no PIB em 2012. Mesmo assim, a recuperação da economia norte-americana, o fortalecimento de outras economias, a provisão de liquidez realizada pelo Banco Central Europeu e as trocas de governo na Espanha e na Itália estão ajudando na recuperação.
"Com o passar da crise e algumas boas notícias sobre a economia dos Estados Unidos, um certo otimismo voltou. Ele deverá permanecer moderado. Mesmo sem outra crise europeia, as economias mais avançadas ainda enfrentam grandes freios ao crescimento. E o risco de outra crise ainda se faz presente tanto para as economias avançadas como para as emergentes”, afirmou Blanchard no comunicado divulgado pelo FMI.
A previsão de crescimento para a América Latina e Caribe para este ano é de 3,7% e, para 2013, de 4,1%. As estimativas anteriores eram de 3,5% e 4%. Segundo a avaliação do FMI, a região teve um bom desempenho econômico em 2011 graças ao alto preço das commodities. Mesmo assim, não está livre do contágio europeu. Para o Brasil, a previsão de crescimento é de 3% neste ano e de 4,1% em 2013.

