São Paulo – A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira (12), durante um discurso no Brookings Institution, em Washington, que a economia mundial está se recuperando da crise econômica, mas alertou que esta recuperação é “lenta e frágil”. Ela disse também que há muito trabalho a ser feito para impedir que a crise se agrave e aproveitou a ocasião para pedir dinheiro para o FMI.
Para a diretora-gerente do Fundo, a situação da Europa é a mais delicada e as decisões tomadas em conjunto no bloco são aquelas que mais influenciam o desempenho econômico global. Ela observou que algumas decisões acertadas já ajudaram todos a ganhar tempo para “pensar” em como proceder nos próximos meses no combate à crise.
Lagarde sugeriu que os países precisam concentrar seus esforços em reparar seu sistema bancário, ampliar a integração fiscal europeia e criar a “muito aguardada” barreira de proteção financeira. Essa, em sua opinião, não é uma iniciativa que deveria ser adotada apenas pelos europeus, mas por todos os países. Se isso fosse feito, disse, seria possível criar um “círculo de proteção” contra futuras crises.
Lagarde afirmou que o FMI precisa de mais dinheiro. “Para ser o mais eficaz possível, precisamos aumentar nossos recursos”, declarou. Ela se disse encorajada pelas demonstrações de apoio de países-membros do Fundo que estão ajudando a instituição a obter mais recursos.
Lagarde anunciou que os técnicos do Fundo estão reavaliando os riscos para a economia global ao considerar os resultados das políticas de combate à crise adotadas no mundo todo no começo do ano. “As necessidades agora não são tão grandes como estimamos no começo do ano, mas, sem dúvida, ainda são muito grandes”, disse.
Em referência aos países que visitou nos nove meses como diretora-gerente do Fundo, Lagarde observou que os “custos humanos” da crise mostram a importância das políticas econômicas dos governos para suas populações. “Pude ver as dificuldades, a perda de dignidade e de dinheiro. Acontece o mesmo em todos os países”, disse.

