São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quarta-feira (25) um acordo com o governo da Jordânia que pode liberar US$ 2 bilhões para apoiar o programa nacional de reforma daquele país. Para ser concretizado, o aporte ainda depende da aprovação do comitê executivo do fundo.
De acordo com nota divulgada pelo FMI, importantes fatores externos abalaram a economia jordaniana, como repetidas interrupções no fornecimento de gás natural vindo do Egito, que obrigaram o governo a realizar importações caras de produtos combustíveis para a geração de energia. Ao mesmo tempo, aponta, as tensões regionais e o desaquecimento da economia global afetaram o turismo, o salário dos trabalhadores e o investimento estrangeiro direto, desacelerando o crescimento do país.
"Apesar da melhora na receita do turismo e nos salários em 2012, junto com a projeção de queda no preço do petróleo, espera-se que o déficit em conta corrente chegue a 14% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012", destacou, em nota, Kristina Kostial, chefe da missão do FMI à Jordânia.
De acordo com Kostial, em 2011 a Jordânia adotou políticas fiscais e de energia que reduziram os impactos de seus problemas econômicos para a população, como subsídios nas tarifas de energia, mas que acabaram aumentando o déficit governamental e as perdas operacionais da companhia estatal de energia Nepco. Em 2012, acrescenta, a necessidade de fornecer moradia e serviços médicos a refugiados da Síria exacerbou os problemas financeiros da Jordânia.
"As grandes necessidades de financiamento do governo e da Nepco reduziram a disponibilidade de financiamento para apoiar um investimento adequado no setor privado e contribuíram para a já elevada dívida pública", afirmou Kostial.
"Para evitar ajustes maiores que poderiam afetar negativamente o crescimento e parcelas vulneráveis da população, e para se proteger contra novos choques, o governo jordaniano solicitou assistência financeira ao FMI. A equipe do FMI concordou em apoiar a agenda da Jordânia para uma consolidação fiscal socialmente aceitável. Isto proverá liquidez durante os próximos três anos, o que permitirá às autoridades implementar gradualmente sua agenda", disse a executiva.
Segundo Kostial, os principais objetivos da agenda de reforma do governo da Jordânia são corrigir os desequilíbrios fiscais e externos, além de fomentar um crescimento alto e inclusivo. Para isso, diz, as autoridades jordanianas planejam realizar ajustes fiscais de curto e médio prazo, apoiados por reformas fiscais e de gastos; realizar reformas no setor elétrico para recuperar a saúde financeira da Nepco; e promover reformas estruturais visando melhorar o ambiente de negócios, fortalecendo a transparência e estimulando o comércio.

