São Paulo – O relatório Perspectivas Econômicas Mundiais (WEO, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira (07) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), avalia que o mundo ainda tem dificuldade para retomar o ritmo de crescimento e que a recuperação das economias após a crise de 2008 é cada vez mais desigual. Algumas crescem em um ritmo acelerado, outras não conseguem voltar a crescer.
O documento também revisou para baixo suas perspectivas de expansão para as economias global, do Oriente Médio e Norte da África e do Brasil em 2014 e em 2015. Na avaliação do Fundo, alguns países têm conseguido crescer mais do que outros, mas, no geral, a expansão dos Produtos Internos Brutos (PIB) ainda é fraca.
“Entre as economias avançadas, é previsto que o crescimento retome, porém, é lento na Zona do Euro e Japão e geralmente mais rápido nos Estados Unidos e em outros locais. Entre as maiores economias em desenvolvimento, o crescimento deverá se manter alto na Ásia emergente, com modesta desaceleração na China e uma retomada na Índia, mas ainda moderado no Brasil e na Rússia”, afirma o documento do Fundo no capítulo em que analisa os recentes fatos econômicos e suas consequências para os próximos anos.
A previsão do documento é que os países do Oriente Médio e Norte da África, aí incluídas também nações que não são árabes, como Irã, Afeganistão e Paquistão, deverão crescer 2,7% neste ano e 3,9% em 2015. As previsões feitas pelo WEO de julho indicavam expansão de 3,1% em 2014 e 4,8% em 2015.
As previsões do Fundo indicam que a Argélia irá crescer 3,8% neste ano e 4% em 2015; 3,9% e 2,9%, respectivamente, para o Bahrein; 5,5% e 5,5% para o Djibouti; 2,2% e 3,5% para o Egito; -2,7% e 1,5% para o Iraque; 3,5% e 4% para a Jordânia; 1,4% e 1,8% para o Kuwait; 1,8% e 2,5% para o Líbano; -19,8% e 15% para a Líbia; 6,8% e 6,8% para a Mauritânia; 3,5% e 4,7% para o Marrocos; 3,4% e 3,4% para Omã; 6,5% e 7,5% para o Catar; 4,6% e 4,5% para a Arábia Saudita; 3% e 3,7% para o Sudão; 2,8% e 3,7% para a Tunísia; 4,3% e 4,5% para os Emirados Árabes Unidos; 1,9% e 4,6% para o Iêmen; e 3,9% e 3,9% para as Ilhas Comores. O Fundo não divulgou as previsões para Síria, Somália e Palestina.
“Espera-se que o crescimento aumente em 2015, considerando que as condições de segurança melhorem e permitam uma recuperação na produção de petróleo, principalmente na Líbia. A atividade econômica nos países importadores de petróleo deverá melhorar apenas gradualmente enquanto eles continuarem a se deparar com delicadas transições sociopolíticas, pouca confiança e retrocessos nos conflitos regionais”, afirma o documento.
Brasil e mundo
Para o Brasil, a previsão de crescimento do PIB é de 0,3% neste ano e de 1,4% no próximo. Antes, o FMI previa que o País cresceria 1,3% em 2014 e 2% em 2015.
A instituição observou que há queda nas taxas de investimento e consumo moderado, assim como contração do PIB nos dois primeiros trimestres do ano. Isso ocorreu em razão da baixa confiança de empresários e consumidores na economia e de condições financeiras que não estimulam a expansão econômica. “Estes fatores, associados com a fraca competitividade, deverão manter o crescimento moderado em 2014 e em 2015”, avalia o FMI.
A instituição revisou para baixo também a perspectiva de expansão econômica global. Em julho, previa que o PIB mundial cresceria 3,4% em 2014 e 4% em 2015. Agora, estima a expansão da economia em 3,3% e 3,8%.


