São Paulo – As economias dos países do Oriente Médio e do Norte da África irão crescer neste ano e em 2015, mas terão desafios no longo prazo. De acordo os dados mais recentes do relatório “Perspectiva Econômica Regional”, divulgados nesta terça-feira (06) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) das nações árabes, além de Irã, Afeganistão e Paquistão, deverá crescer 3,2% neste ano e 4,4% em 2015. Entre os países exportadores de petróleo, a alta prevista é de 3,4% e 4,6%, respectivamente. Já entre os importadores da commodity, a expansão prevista é de 2,8% neste ano e de 4,1% no próximo.
Entre os países que o FMI considera como exportadores de petróleo estão Argélia, Bahrein, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iêmen. Entre importadores estão Afeganistão, Djibuti, Egito, Jordânia, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Paquistão, Sudão, Síria e Tunísia. Desses grupos Afeganistão, Paquistão e Irã não são países árabes.
Na avaliação do Fundo, o PIB dos países do Oriente Médio e do Norte da África vai crescer neste ano em decorrência da recuperação da economia global. Tanto exportadores como importadores de petróleo precisarão, contudo, promover reformas na sua economia que garantam o crescimento no longo prazo.
“A produção de óleo e gás deverá permanecer amplamente estável em 2014. A produção do GCC (Conselho de Cooperação do Golfo, formado por Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait e Omã) irá crescer devido ao fortalecimento da demanda global, desafios na recuperação em países que não são do GCC (particularmente na Líbia), e um declínio nos estoques globais (de petróleo) causado em parte pelo clima frio na América do Norte”, afirma o comunicado do Fundo.
Já a avaliação para os países que importam petróleo é que sua economia cresceu aproximadamente 3% no ano passado, irá se expandir pouco abaixo de 3% neste ano e aumentará 4% em 2015, o que não é suficiente para a demanda destes países. “Tendo permanecido em torno de 3% no ano passado, (o crescimento) não ficou na média histórica, que é próxima de 5% (de crescimento ao ano). Mesmo que tivesse sido, o crescimento seria insuficiente para reduzir o persistentemente elevado desemprego e melhorar os padrões de vida na região”, avalia o documento.
Desafios
O documento do FMI alerta que os países do Oriente Médio e do Norte da África terão desafios no longo prazo e afirma que os exportadores de petróleo não podem mais depender apenas da produção da commodity para se sustentar. Reconhece que o setor não petrolífero tem impulsionado o crescimento, mas alerta que a recuperação da produção em outros países, o ganho em eficiência energética e o crescimento do fornecimento de outras fontes de energia na América do Norte podem influenciar a produção e as cotações da commodity.
“Os mercados futuros sugerem que o preço do óleo bruto poderá cair cerca de 6% por barril entre 2013 e 2015”, afirma o documento.
O FMI também observa que a capacidade dos exportadores de petróleo em resistir a crises está menor do que nos relatórios anteriores devido ao aumento dos salários do setor público, redução nos preços do petróleo e menor superávit fiscal. Além disso, alguns desses países produtores têm oferecido generosos subsídios energéticos, que impulsionam o consumo em detrimento das exportações.
Já entre as nações que importam petróleo, os principais desafios são solucionar problemas políticos, realizar reformas estruturais para gerar empregos e exportar. O documento observa que Jordânia, Marrocos, Egito, Iêmen e Tunísia são nações “em transição” política. Para este grupo, a previsão de crescimento é de 2,8% em 2014 e 4,3% em 2015.
As previsões de crescimento para cada país em 2014 e 2015 são: Argélia, 4,3% e 4,1%, respectivamente; Bahrein, 4,7% e 3,3%; Iraque, 5,9% e 6,7%; Kuwait, 2,6% e 3,0%; Líbia, -7,8% e 29,8%; Omã, 3,4% e 3,4%; Catar, 5,9% e 7,1%; Arábia Saudita, 4,1% e 4,2%, Emirados Árabes Unidos, 4,4% e 4,2%; Iêmen, 5,1% e 4,4%; Djibuti, 6% e 6,5%; Egito, 2,3% e 4,1%; Líbano, 1% e 2,5%; Mauritânia, 6,8% e 6,5%; Marrocos, 3,9% e 4,9%; Sudão, 2,7% e 4,6%; Tunísia, 3% e 3,5%; Cisjordânia e Faixa de Gaza, 2,5% e 2,7%. O FMI não fez previsões para a Síria devido à incerteza política.


