São Paulo – Em seu mais recente relatório Panorama Econômico Global (WEO, na sigla em inglês) lançado nesta terça-feira (12), o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento divulgadas na última atualização do documento, em janeiro. A nova versão prevê que a economia mundial irá crescer 3,2% neste ano e 3,5% no ano que vem. Antes, a previsão era de expansão global em 3,4% em 2016 e de 3,6% em 2017.
Para o Brasil a nova expectativa é de retração de 3,8% neste ano e nenhum crescimento no ano que vem. Antes, o Fundo estimava a retração em 3,5% neste ano e 0% em 2017. Entre os países do Oriente Médio, Norte da África, Paquistão e Afeganistão (dois últimos não são árabes), a nova previsão indica expansão de 3,1% em 2016 e 3,5% em 2017. Antes, previa alta de 3,6% nos dois anos.
Na avaliação do Fundo, a economia global ainda se recupera da crise de 2008, mas em ritmo cada vez mais fraco. No documento de apresentação do relatório, o economista-chefe do FMI Maurice Obstfeld, alerta para comportamentos de aversão ao risco, que se traduz em menos investimentos, e para as “contínuas e violentas instabilidades” em alguns países, sobretudo na Síria. Esses temores levam, segundo o Obstfeld, à redução do consumo, à deflação e ao aumento das desigualdades sociais. “Em resumo: menos crescimento significa menos espaço para erro”, afirma o economista.
A previsão divulgada nesta terça-feira (12) indica que os países emergentes, categoria em que são incluídos Brasil e árabes, terão crescimento de 4,1% neste ano e de 4,6% em 2017. A edição anterior do WEO previa que os emergentes cresceriam 4,3% em 2016 e 4,7% no próximo ano.
Sobre o Brasil, o Fundo prevê um cenário econômico sujeito a “grande incerteza”. “Espera-se que a produção irá se contrair até além de 3,8% (seguindo uma contração de 3,8% em 2015), ao passo em que a recessão tem seus efeitos sobre o emprego e renda e as incertezas domésticas continuam a reduzir a capacidade do governo em formular e executar políticas (para a retomada do crescimento)”, afirma o documento.
Entre os países exportadores de petróleo no Oriente Médio, Norte da África, Paquistão e Afeganistão, as previsões se deterioraram devido à queda nos preços do petróleo e à intensificação dos conflitos. O Fundo observa que as nações do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes, Omã e Kuwait) adotaram medidas para reduzir os impactos da queda do preço do petróleo. Mesmo assim, o déficit fiscal deles deverá crescer “consideravelmente” neste ano.
O documento estima, contudo, uma situação mais confortável para estes países no médio prazo em razão da melhora no conflito do Iêmen e porque Irã e Iraque estão voltando a exportar petróleo após o fim de sanções. O documento avalia que a retomada destes países ao mercado irá resultar em um crescimento “consolidado” do PIB da região. A expectativa é que os países exportadores de petróleo terão um crescimento consolidado de 2,9% neste ano e de 3,1% em 2017. No ano passado, o crescimento foi de 1,9%.
Para os países do Oriente Médio e Norte da África que importam petróleo, há a previsão de um crescimento “moderado”. O documento reconhece que eles alcançaram estabilidade política, realizaram reformas e conseguiram colocar em prática medidas de consolidação fiscal, além de gastarem menos para comprar petróleo. Mesmo assim, seu eventual crescimento é afetado pelas instabilidades regionais e pela desaceleração entre os países que exportam petróleo. Entre os importadores, o PIB deverá crescer 3,5% neste ano e 4,2% no ano que vem.
Em uma avaliação geral sobre os países emergentes, o documento observa que eles foram e continuam sendo fortemente afetados pela queda nos preços das commodities e afirma que, como a tendência é que esses preços continuem baixos, os países que dependem da sua exportação terão que fazer ajustes “adequados” ao gasto doméstico.
Especificamente sobre o Brasil, o Fundo afirma que o governo precisa “perseverar nos seus esforços de consolidação para, assim, promover uma reviravolta na confiança e no investimento”. O documento também afirma que reformas “estruturais”, que levem ao aumento da produtividade e da competitividade do País “são essenciais para revigorar seu potencial de crescimento”.


