São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou nesta quarta-feira (13), em Washington, previsões piores para a economia internacional nos próximos anos, assim como para a economia brasileira. O documento “Monitor Fiscal” é parte das avaliações que o Fundo faz das economias dos países e mundial, que começaram a ser apresentadas pela instituição na terça-feira (12) por meio do Panorama Econômico Global. Nesta divulgação, o Fundo afirma que a economia do Brasil não vai voltar a registrar superávit primário, que é a economia feita para pagar juros da dívida, antes de 2020.
No documento, o Fundo estima que neste ano o Brasil terá déficit equivalente a 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB), que será seguido por déficits de 1,4% do PIB em 2017, 1% em 2018 e de 0,3% em 2019. Em 2020, o País terá superávit primário de 0,9% e, em 2021, de 1,6%.
Os motivos que levaram ao aumento do déficit brasileiro no último ano, afirma o documento, foram receitas fracas, taxa de juros em ascensão e uma “compensação de pagamentos em atraso” em um contexto de aprofundamento da recessão e turbulência política. O documento observa que as autoridades estão comprometidas em reduzir o déficit e aprovar um teto para o gasto público.
Neste documento o Fundo cita ainda medidas que os países poderiam adotar para retomar o crescimento e solucionar parte de seus problemas econômicos. No caso do Brasil, uma forma de ampliar o investimento seria acelerar o programa de concessões de portos, aeroportos, ferrovias e rodovias reduzindo as barreiras para o investimento privado.
A avaliação geral do documento do FMI é que a economia mundial enfrenta desafios grandes, pois seu crescimento é fraco e tímido. “A fraqueza da retomada global e as preocupações em relação à habilidade dos políticos em oferecer medidas adequadas e rápidas tornaram nebulosas as previsões econômicas. Como resultado, os riscos à economia global e aos sistemas financeiros cresceram substancialmente. Neste ambiente difícil, políticas fiscais devem ser preparadas para prontamente apoiar o crescimento e reduzir as vulnerabilidades”, afirma o documento.
O documento estima que os países do Norte da África e do Oriente Médio exportadores de petróleo terão uma perda acumulada de mais de US$ 2 trilhões nos próximos cinco anos em relação aos seu faturamento no período entre 2004 e 2008, em que foram registrados picos nos preços do barril de petróleo.
Para os países emergentes, a sugestão do fundo é que eles adaptem sua economia a um ambiente “mais volátil” e com mudanças mais bruscas nos preços das commodities, no fluxo de capitais e nas taxas de câmbio. O FMI sugere que exportadores de petróleo fortaleçam suas estruturas fiscais e se preparem para um mercado global altamente volátil.


