São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou que a Arábia Saudita não deixe de combater a inflação. Em relatório divulgado nesta terça-feira (23), a instituição elogia os avanços sociais obtidos pelo país nos últimos anos, mas observa que os altos gastos do governo e os valores dos alimentos importados podem fazer os preços subirem de forma descontrolada.
O FMI estima que, em 2011, a inflação na Arábia Saudita será de 6%. Em 2010, o índice foi de 5,4% e, em 2009, ano de recuperação da crise econômica, de 5,1%. Em 2008, o aumento dos preços atingiu a marca de 9,9%. No relatório divulgado hoje, os diretores do FMI afirmam que a inflação no país “foi controlada”. Mas alerta que a combinação de contínua pressão dos preços dos alimentos importados, aumento nos gastos do governo, liquidez interna e aluguéis pode resultar no aumento da inflação.
O relatório do FMI observa que a Arábia Saudita precisa enfrentar alguns desafios na economia. Entre eles, o alto índice de desemprego da população jovem. “Com os preços do petróleo recuperados após a crise financeira global [de 2008], fortes saldos fiscais e externos, alta das reservas internacionais e dívida baixa, a Arábia Saudita tem o espaço fiscal necessário para responder a estas prioridades sociais”, sugere o estudo.
O Fundo também elogia as políticas econômicas das autoridades sauditas. Lembra que o país cresceu 4,1% em 2010, contra um crescimento de apenas 0,1% em 2009, e prevê que neste ano o Produto Interno Bruto (PIB) terá crescimento de 6,5% em relação a 2010. A instituição diz que a melhora dos indiciadores econômicos beneficiou setores petrolíferos e não-petrolíferos e afirma que em 2010 o lucro das empresas com ações cotadas na bolsa de valores foi 56% maior do que em 2009.
“Os diretores do FMI observaram que a supervisão e regulação do sistema financeiro pelo banco central [saudita] tem sido efetiva, como evidenciado pela resistência do sistema bancário aos recentes choques [financeiros]”, afirma o FMI.
Este estudo é a conclusão de reuniões realizadas entre os economistas do Fundo e as autoridades do país analisado. A pesquisa é feita nos termos do Artigo 4 do FMI e compreende todas as nações integrantes da instituição. O relatório foi concluído em 18 de julho.

