São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve suas projeções de crescimento da economia internacional para 2017 e 2018 em 3,4% e 3,6%, respectivamente, mas reduziu em 0,1 ponto percentual a perspectiva de avanço dos países emergentes e em desenvolvimento neste ano, para 4,5%, ao passo que aumentou na mesma proporção a previsão de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) das nações desenvolvidas, para 1,9%. Os números fazem parte de atualização do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgada nesta segunda-feira (16). Os dados originais foram apresentados em outubro de 2016.
Entre as projeções que foram revisadas para baixo está a do Brasil. O Fundo agora prevê que o País irá crescer apenas 0,2% em 2017. Houve uma redução de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa de outubro. Para 2018, a previsão de crescimento foi mantida em 1,5%.
Segundo o FMI, a redução da expectativa para o Brasil reflete a frustração com o desempenho econômico do segundo semestre de 2016, considerado mais fraco do que o esperado, além das condições financeiras mais restritivas em vigor no País.
A América Latina como um todo acabou tendo sua perspectiva de crescimento para 2017 reduzida em 0,4 ponto percentual, para 1,2%. De acordo com o Fundo, cenário semelhante ao do Brasil ocorre na Argentina. Além disso, as incertezas sobre o novo governo dos Estados Unidos afetam o México e a economia da Venezuela continua a se deteriorar.
No Oriente Médio, o FMI destaca as projeções para a Arábia Saudita. A previsão de crescimento para este ano foi reduzida em 1,6 ponto percentual, para 0,4%, e para 2018 houve um corte de 0,3 ponto, para 2,3%. O relatório diz que a revisão reflete o acordo de corte na produção de petróleo feito pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Na semana passada, o ministro saudita da Energia, Khalid Al-Falih, informou que o país já reduziu sua produção para menos de 10 milhões de barris por dia, o menor volume desde 2015.
O Fundo destaca também que os conflitos na região causam impactos pesados em vários países do Oriente Médio, não só nos conflagrados, mas também em seus vizinhos.
As perspectivas do FMI contrastam com as do Banco Mundial divulgadas na semana passada. O Bird aumentou, por exemplo, sua expectativa de crescimento da economia brasileira para 0,5% em 2017, contra o uma estimativa de recuo de 0,1% feita em junho último. No caso da Arábia Saudita, o banco espera uma aceleração do crescimento para 1,6% este ano.
EUA são incógnita
Entre as principais incógnitas sobre desempenho da economia mundial em 2017, segundo o FMI, é o que fará o novo presidente dos EUA, Donald Trump, a partir do dia 20, quando assumir o cargo. “Há uma grande dispersão de resultados possíveis em torno das projeções, dadas as incertezas que envolvem as posições da próxima administração dos EUA e suas ramificações globais”, diz o relatório.
Na avaliação da instituição, há risco de adoção de políticas isolacionistas e protecionistas.
No caso das commodities, o Fundo acredita que os preços do petróleo devem se firmar, após o acordo feito por países membros e não membros da Opep. As cotações já vêm subindo nas últimas semanas.
O FMI diz também que os preços dos metais também subiram com a demanda dos setores imobiliário e de infraestrutura da China e com a expectativa de relaxamento fiscal nos EUA.


