São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano. De acordo com o relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgado nesta terça-feira (20), o crescimento da economia em 2011 deverá ser de 3,8%, menos do que os 4,1% projetados pela instituição em junho e menos do que os 4,5% previstos pelo governo brasileiro. Para o Fundo, a desaceleração da economia brasileira é reflexo da crise econômica que atinge os Estados Unidos e os países europeus.
O relatório aponta que a maioria dos países emergentes será afetada pelas incertezas das nações ricas. Na América Latina, apenas a Venezuela deverá crescer menos do que o Brasil em 2011 (2,8%). Na média, os emergentes deverão crescer 6,4%. A média de crescimento global prevista é de 4%. Já a expansão dos países desenvolvidos é estimada pelo FMI em 1,6%.
O Fundo prevê que a inflação brasileira deverá fechar 2011 em 6,6%, acima, portanto, do teto estipulado pelo governo, que é de 6,5%. Já em 2012, a inflação deverá ficar em 5,2%. A meta da inflação para 2011 e para 2012 é de 4,5%.
O Brasil não foi o único país que teve sua previsão de crescimento revista para baixo pelo FMI. De acordo com o relatório, os Estados Unidos deverão crescer 1,6% neste ano. Em junho, a instituição previra crescimento de 2,2%. A Zona do Euro deverá crescer 1,5% conforme esta previsão. A anterior apontava para aumento de 2,5%. A estimativa de crescimento para a China era de 9,6%. Agora é de 9,5%.
O consultor econômico e diretor do departamento de pesquisa do FMI, Olivier Blanchard, afirma no relatório que, em relação à previsão feita em abril deste ano, a recuperação econômica se tornou muito mais incerta. Ele diz que a economia mundial sofre, neste momento, de dois efeitos econômicos adversos.
“O primeiro é a muito lenta recuperação nas economias avançadas desde o começo do ano, algo que demoramos a perceber que estava ocorrendo. O segundo é o grande aumento das incertezas fiscais e financeiras, que se tornaram mais claras a partir de agosto.” Blanchard afirma que políticas econômicas eficientes são necessárias neste momento para melhorar as previsões e reduzir os riscos.
China
Enquanto o FMI prevê desaceleração da economia, o Banco Mundial divulgou nesta terça-feira um estudo que avalia as relações econômicas entre os países da América Latina e do Caribe e a China.
O levantamento Crescimento de longo-prazo da América Latina e Caribe: feito na China? afirma que o gigante asiático se tornou o principal parceiro dos países da região e que esta relação se fez graças às trocas de matéria-prima abundante encontrada na América Latina e no Caribe com produtos de baixa tecnologia produzidos com baixo custo pela China. “Esse tipo de comércio frequentemente limita os potenciais ganhos de tecnologia e compartilhamento de conhecimento”, afirma o Banco Mundial.
O estudo compara o desenvolvimento dos países latinos proporcionado pela relação com a China ao desenvolvimento que os tigres asiáticos obtiveram dos anos 70 aos anos 90 graças à sua relação econômica com o Japão. Aqueles países, no entanto, obtiveram mais benefícios da parceria japonesa do que os latinos e caribenhos com os chineses até agora.
Segundo o Banco Mundial, nos anos 80 a capacidade energética instalada dos países latinos e do Caribe era 17% menor do que a dos tigres asiáticos. Hoje, é quase 50% menor. A porcentagem da população com ensino superior subiu de 9,5% em 1990 para 14,2% em 2009 nos países latinos. Nos tigres asiático, ela cresceu de 10% a 20% no mesmo período.
O Banco Mundial afirma que as previsões de crescimento do PIB dos países da região variam entre 3,5% e 4,5% neste ano e em 2012 e as taxas de inflação estão estáveis entre 6% e 7% neste ano. Ainda de acordo com a instituição, o risco soberano dos países latinos está baixo e o risco de calote de nações como Chile, Colômbia e Peru atualmente é menor do que o da França. A questão, segundo o Banco Mundial, é como tornar a relação desses países com a China mais sustentável no futuro.
“Neste novo contexto de performance econômica medíocre dos Estados Unidos e da Europa, a questão principal é como os países da América Latina e Caribe podem alavancar suas profundas conexões com a China e torná-las uma importante fonte de crescimento a longo-prazo”, diz o economista-chefe do Banco Mundial para a região, Augusto de la Torre.

