São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua projeção de crescimento da economia palestina para este ano de 5% para 4,5%, segundo comunicado divulgado quarta-feira (03) pela instituição. “A economia palestina continua a ser dominada pelo setor público e os persistentes controles e obstáculos israelenses sobre deslocamentos internos, exportações e importações na Cisjordânia, assim como o virtual bloqueio de Gaza, sufocam o setor privado”, declarou o chefe da missão do FMI para a Cisjordânia e Gaza, Christoph Duenwald, após a visita de uma delegação da entidade a Jerusalém Oriental e Ramallah.
De acordo com o executivo, nesse cenário o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) continuará a desacelerar. No ano passado, a Palestina cresceu 6%, segundo estimativa do próprio FMI. “Devido ao crescimento fraco, pouco progresso é esperado na redução da taxa de desemprego, que atualmente está em 24%”, disse Duenwald.
O chefe da missão acrescentou que as finanças da Autoridade Palestina (AP) são frágeis, apesar do governo ter adotado medidas para conter o aumento da folha de pagamentos. Há altos gastos para subsidiar a energia, falta de pagamento de contas de eletricidade e quedas nas receitas que mais do que superaram eventuais economias. De acordo com ele, mesmo se todo o dinheiro prometido pelos países doadores for de fato repassado este ano, haverá déficit. O FMI prevê déficit orçamentário de US$ 1,7 bilhão em 2013.
Outro problema financeiro é a acumulação de dívidas com bancos e outras instituições privadas, que, na avaliação do Fundo, pode comprometer a viabilidade financeira da AP no médio prazo. Ao mesmo tempo, segundo Duenwald, os gastos públicos são centrados na folha de pagamentos, deixando poucos recursos para investimentos em educação e infraestrutura, o que compromete o desenvolvimento do setor privado.
O Fundo recomenda o congelamento de salários e de contratações pela AP, a racionalização dos benefícios concedidos aos servidores de alta renda, além da reforma dos serviços públicos e da previdência. A instituição defende ainda a expansão do programa de transferência de renda vigente para amenizar o impacto dessas reformas entre os mais pobres. Na seara da arrecadação, a recomendação é reduzir as isenções de impostos e a sonegação.
Duenwald conclui dizendo que a AP precisa do apoio contínuo da comunidade internacional e de cooperação por parte de Israel. “De fato, não há substituto para um amplo relaxamento das restrições israelenses, necessário para desobstruir o setor privado e, assim, impulsionar o crescimento e a geração de empregos”, destacou. Paralelamente, ele defende que as nações doadoras ampliem o auxílio à Palestina com base em compromissos plurianuais.


