São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu em 0,3% sua previsão de crescimento da economia mundial para este ano. Na atualização do relatório World Economic Outlook (WEO), ou Perspectivas da Economia Mundial, divulgada nesta quinta-feira (24), a instituição estima que o avanço agora será de 3,4%. Isso, de acordo com o FMI, é reflexo de um desempenho abaixo do esperado no primeiro trimestre do ano, especialmente nos Estados Unidos, e de expectativas menos otimistas para diversos países emergentes, entre eles o Brasil.
Para 2015, a projeção de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) global foi mantida em 4%.
Segundo o documento, a atividade econômica internacional desacelerou acima do previsto de 3,75% no primeiro trimestre de 2013 para 2,75% no mesmo período de 2014. O avanço foi 0,5% menor do que o anteriormente estimado pela instituição.
O Fundo informa que o acumulo de estoques nos Estados Unidos registrado no final de 2013 foi maior do que o esperado, pois houve redução da demanda em função de um inverno rigoroso, as exportações recuaram significativamente no primeiro trimestre deste ano em comparação com o último de 2013 e a produção diminuiu.
Na China, a demanda interna desacelerou também mais do que o previsto pois o governo local interviu para conter a expansão do crédito e para “corrigir” a atividade imobiliária. Na Rússia, a demanda diminuiu frente às “tensões geopolíticas”, notadamente a crise com a Ucrânia, e afetou o crescimento de forma significativa.
Em outros países emergentes, de acordo com o FMI, o avanço da economia ficou abaixo do esperado em função da menor demanda externa, principalmente dos Estados Unidos e da China, e, em diversos casos, pelo enfraquecimento do consumo interno e dos investimentos.
A instituição avalia, porém, que houve um relaxamento das condições financeiras internacionais desde abril, quando foi lançada a primeira versão do relatório WEO. As taxas de juros de longo prazo em países desenvolvidos caíram ainda mais, houve redução das expectativas de volatilidade dos preços e as cotações de ações aumentaram.
Nesse cenário, ocorreu uma recuperação do fluxo de capitais para mercados emergentes, caíram os “spreads” para títulos destes países, e as taxas de câmbio e os valores das ações em algumas destas economias se estabilizaram e até avançaram.
Em função disso, o Fundo acredita que o segundo trimestre de 2014 teve um desempenho melhor do que o primeiro. “Isso reflete a visão de que a fragilidade inesperada no primeiro trimestre foi em larga medida temporária”, diz o texto da instituição.
No entanto, algumas destas “fragilidades” deverão permanecer, o que contribuiu para a redução da previsão de crescimento global em 2014.
Brasil e árabes
Ainda sobre as economias emergentes, o FMI estima um crescimento de 4,6% este ano, uma redução de 0,2% sobre a previsão de abril, e de 5,2% em 2015, ou 0,1% a menos do que o projetado em abril.
No Brasil, o Fundo afirma que condições financeiras mais rígidas e uma contínua “fraqueza” na confiança dos consumidores e dos empresários estão inibindo o crescimento do consumo e segurando os investimentos.
A nova previsão de crescimento da economia brasileira em 2014 é de 1,3%, uma redução de 0,6% em relação à projeção de abril, e de 2% em 2015, também 0,6% a menos do o estimado em abril. Esta semana o próprio governo do País diminuiu sua estimativa de avanço do PIB local este ano de 2,5% para 1,8%.
No Oriente Médio e Norte da África, mais Afeganistão e Paquistão, a instituição prevê um crescimento de 3,1% este ano, 0,2% a menos do que em abril, e de 4,8% em 2015, ou 2% a mais do que em abril. Este bloco inclui os países árabes.
Sobre o Oriente Médio, o Fundo alerta ainda para problemas que afetam a região e que podem atingir a economia mundial como um todo. “Os riscos geopolíticos aumentaram em relação a abril: os riscos de um pico no preço do petróleo estão mais altos em função de acontecimentos recentes no Oriente Médio, ao passo aqueles relacionados à Ucrânia seguem presentes.”
Desde o lançamento do relatório original em abril, houve uma escalada da violência na Líbia e no Iraque, além do ataque de Israel à Faixa de Gaza que já resultou em mais de 700 mortos. Vale lembrar que os dois primeiros países são grandes produtores e exportadores de petróleo.


