São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas projeções de crescimento econômico do Oriente Médio e Norte da África para este ano e o próximo. De acordo com a mais recente atualização do relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgada na terça-feira (09), em Washington, a instituição estima que o Produto Interno Bruto (PIB) da região vai avançar 3% em 2013 e 3,7% em 2014. Ambas as previsões foram reduzidas em 0,1 ponto percentual em comparação com as feitas anteriormente pelo FMI, em abril.
“O crescimento em algumas economias do Oriente Médio e Norte da África permanece fraco por causa de transições políticas e econômicas difíceis”, informa a publicação do Fundo, referindo-se aos processos desencadeados pela chamada Primavera Árabe, em 2011.
A redução, no entanto, foi pequena na comparação com a média mundial. As projeções de crescimento da economia global foram diminuídas para 3,1% este ano e 3,8% no próximo, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação aos números de abril. No caso do conjunto dos países emergentes e em desenvolvimento, as estimativas de avanço do PIB são de 5% este ano e de 5,4% no próximo, ambas com redução de 0,3 ponto percentual sobre os dados de abril.
Em entrevista coletiva transmitida pela internet, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, afirmou que novos riscos ao crescimento mundial passaram a se somar à péssima situação econômica da Europa, como a perspectiva de crescimento mais modesto na China, a sustentabilidade duvidosa do avanço do PIB do Japão e a expectativa do fim da política de “quantitative easing” nos Estados Unidos.
Esses fatores contribuem para deprimir a demanda internacional e para baixar os preços das commodities, o que afeta diretamente economias emergentes. Além disso, de acordo com o Fundo, fatores domésticos, como gargalos de infraestrutura, impedem algumas nações em desenvolvimento de ter um crescimento maior. Para o Fundo, os emergentes vão continuar a crescer mais do que as nações desenvolvidas, mas em ritmo menor do que no passado.
É o caso do Brasil. As projeções de avanço do PIB do país foram reduzidas para 2,5% em 2013 e 3,2% em 2014, quedas de 0,5 e 0,8 ponto percentual, respectivamente, em relação a abril. Segundo Blanchard, o Brasil tem baixa taxa de investimento em relação ao PIB. O chefe da Divisão de Estudos Econômicos Mundiais do FMI, Thomas Helbling, acrescentou que o País, depois de uma década de rápido crescimento, calcado principalmente no aumento da demanda, bate agora em suas limitações, especialmente na baixa qualidade de sua infraestrutura e na atual escassez de mão de obra qualificada.
Ao mesmo tempo, a inflação brasileira está em alta e, para Helbling, lançar mão de novos estímulos monetários para incentivar o consumo “seria errado”. O que o Brasil precisa fazer, dizem os analistas – e não é de hoje -, é estimular o crescimento pelo lado da oferta, ou seja, dos investimentos.
É o contrário do que ocorre na China, onde por anos o governo estimulou o crescimento por meio dos investimentos e agora precisa fazer o consumo avançar. Para se ter uma ideia, a taxa de investimento no setor produtivo na China gira em torno de 45% do PIB, no Brasil ela não chega a 20%.
Nessa seara surge outra dificuldade que o Brasil e outras nações emergentes terão de lidar, que é a perspectiva do fim da política de “quantitative easing” nos EUA, que consiste na compra pelo FED (banco central norte-americano) de títulos públicos junto a instituições financeiras, com o objetivo de colocar mais dinheiro em circulação.
Com o fim dessa política, investidores que tiraram seus recursos dos EUA e aplicaram em países emergentes, em busca de maior rentabilidade, podem agora fazer o caminho inverso. “O fim da ‘quantitative easing’ fará com que os títulos norte-americanos fiquem mais atrativos e os investidores que foram para países emergentes talvez queiram repatriar seus fundos”, destacou Blanchard. Ele ressaltou, porém, que parte dos recursos que migraram para mercados em desenvolvimento nos últimos anos deve voltar aos EUA, mas não todo o dinheiro.

