Da Agência Brasil
Zurique (Suíça) – Por mais que o encontro de Davos sirva como uma oficina de idéias e pólo de discussões sobre correntes teóricas de comércio, questões macroeconômicas e até mesmo ambiente para se tratar das desigualdades entre o mundo pobre e o rico, não há como deixar de falar em negócios.
Não é para menos. À estação de esqui suíça vão representantes das mais importantes corporações do mundo, tais como a Microsoft, a Nestlé, a Audi e
a Wolkswagen. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Econômicos e Transnacionais (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, são raros os momentos em que figuras tão importantes têm tanto tempo juntos. São, pelo menos, cinco dias para aprofundar impressões e acertar detalhes para a efetivação de vendas e prestação de serviços.
Um organismo não governamental brasileiro, a Brasil Connects, lançará a isca com o objetivo de faturar pouco mais no futuro. É que ela está credenciando empresas que estão se esforçando no quesito ambiental e poluem menos para que vendam certificados de "despoluição".
Funciona da seguinte forma: as empresas que poluem demais, extrapolando sua cota têm de "comprar" o direito de poluir. Se o Protocolo de Kyoto for cumprido mais restritamente, é possível que esse negócio alcance bilhões de dólares já nos próximos anos. As que mais precisam desse artifício, pelo menos por enquanto, são as geradoras de energia e as transportadores, que emitem na atmosfera resíduos de combustíveis fósseis.
De acordo com o presidente da Brasil Connects, João Carlos Veríssimo, que participará do encontro em Davos, algumas empresas brasileiras poderão lucrar bastante daqui para a frente. Em especial, algumas usinas de açúcar no interior de São Paulo, que têm aumentado o investimento na troca de equipamentos e espécies de filtros para poluir menos.
"Esse fenômeno vai induzir outras companhias a pensar racionalmente na emissão de poluentes, até para que não gaste dinheiro na compra de certificados que as autorize a
poluir".
Ressurreição da OMC será em Davos?
Depois do fracasso da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) de Cancún, no fim do ano passado, os olhos dos organizadores e participantes do Fórum Econômico Mundial voltam-se para a possibilidade de
que as negociações em torno de temas polêmicos, como os subsídios agrícolas de governos ricos – especialmente Estados Unidos e Europa – a produtores e compras governamentais sejam retomadas em grande estilo.
O assunto interessa bastante ao Brasil. Isso porque nas últimas negociações nem os americanos nem os europeus mostraram-se flexíveis a conversar seriamente sobre a diminuição de restrições a entrada de produtos brasileiros em alguns países, como a do suco de laranja, nos Estados Unidos.
Dependendo dos avanços obtidos em Davos, no que diz respeito à OMC, as autoridades brasileiras terão de reavaliar a postura diante das negociações internacionais: ou conversar de modo mais ameno com os "fortes do norte" ou continuar buscando apoio nas nações do Sul – fortalecimento do G-3 (África do Sul e Índia) ou do G-20 – a fim de dirimir tais impasses.

