Da Agência Brasil
Brasília – O 5º Fórum Social Mundial (FSM), que vai ocorrer de 26 a 31 deste mês em Porto Alegre, já conta com mais de 70 mil participantes de 120 países inscritos. A expectativa dos organizadores é de que mais de 100 mil pessoas participem do evento, que tem em sua programação 1,9 mil atividades, entre debates, testemunhos, conferências e eventos culturais. Onze eixos temáticos principais, escolhidos pelos participantes, vão nortear as discussões do encontro.
Este ano marca a volta do Fórum à capital do Rio Grande do Sul, palco das três primeiras edições. Em 2004 ele foi realizado em Mumbai, na Índia.
Segundo Chico Withaker, membro do Comitê Organizador do Fórum, a edição deste ano terá formas alternativas para a exposição dos temas dos debates. "Ao invés de apenas mesas de controvérsias e oficinas, haverá também palcos espalhados por todo o Fórum para que haja atividades de outras naturezas, como expressão artística, teatro e poesia, para discutir temas de uma forma diferente, ou para apresentar problemas de uma forma alternativa da tradicional", afirma.
As construções dos espaços onde acontecerão as atividades – orçadas em R$ 4,4 milhões – estão na fase final. São 150 mil metros quadrados de área construída, o que equivale à área de 18 estádios de futebol do porte do Maracanã, no Rio de Janeiro. Cerca de 80% dos espaços de debates são formados por tendas de lona. O restante são espaços com "bioarquitetura": oito salas com paredes de palha de arroz, trigo e cevada, com utilização de grama para o telhado e estruturas de eucalipto.
Mais de cinco mil jornalistas de 1.128 veículos de comunicação de 67 países já estão inscritos para a cobertura do evento. O investimento para a realização do Fórum foi de R$ 14 milhões.
Embora seja principalmente um espaço de discussão das questões sociais pela sociedade civil, o Fórum deve contra com a participação de representantes de pelo menos 16 órgãos do governo brasileiro. Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sete ministros já confirmaram presença em painéis e seminários que vão discutir temas como as perspectivas e rumos dos direitos humanos, a luta mundial contra o racismo e a liberdade na sociedade da informação.
Vistos
O ministério das Relações Exteriores decidiu facilitar a emissão de vistos para os participantes estrangeiros do evento. O visto será gratuito, com validade de 30 dias, e será emitido em 72 horas – uma forma de facilitar a participação de pessoas de todo o mundo no Fórum.
A orientação do ministério às pessoas que vivem em países que não possuem representação diplomática brasileira é de que entrem em contato com a Embaixada do Brasil no país mais próximo e enviem o passaporte pelo correio, com a confirmação da inscrição no Fórum.
Segundo Antônio Martins, membro do Comitê Organizador do Fórum e um dos representantes da ATTAC (Associação pela Taxação das Transações financeiras em Apoio ao Cidadão), o Fórum é aberto a todos os cidadãos e organizações dispostas a participar do evento. A única restrição é imposta aos partidos políticos, que não podem participar como organizações, embora militantes e filiados possam participar individualmente do evento. A participação de membros do governo é permitida, assim como de chefes de estado e representantes de governos estrangeiros.
A diversidade dos participantes, na avaliação de Antônio Martins, é a marca registrada do Fórum. "A construção de uma sociedade que supere a relação social mercantil não existe sem a diversidade. O Fórum precisa criar mecanismos para construir essa diversidade. A idéia é que, pouco a pouco, através das diferentes participações a gente tire idéias para criar fórmulas de ação capazes de criar uma sociedade melhor", ressaltou.
Cultura
As atividades culturais devem ser uma marca do Fórum este ano. Pela primeira vez, todas as inscrições de artistas que querem se apresentar durante o evento foram aceitas. Serão 240 apresentações de dança, teatro, música, audiovisual e exposições de fotos, artes plásticas e instalações multimídias. Os espaços de discussão do evento serão contemplados com cultura, que será uma "companhia inseparável para proporcionar uma outra sensibilidade às temáticas", afirma o produtor cultural do FSM, Ben Berardi.
No dia 14 houve uma oficina de produção de bonecos gigantes que farão parte da marcha de abertura oficial do Fórum. Os participantes estão sendo convidados a levar instrumentos de percussão. Durante a caminhada, dezenas de grupos artísticos estarão misturados à multidão. O lema é a construção de um "outro mundo possível sem guerras".
Outra novidade em 2005 é o espaço reservado para a arte indígena, montado no Território Social Mundial. A cultura e as lutas indígenas serão mostradas por quatrocentos índios, representando cerca de cem povos. Cotidiano, espiritualidade, recursos naturais, direitos constitucionais, um sistema jurídico próprio e os problemas enfrentados pelas tribos fazem parte do encontro denominado Puxirum, que em tupi-guarani significa uma reunião de esforços em torno de um objetivo comum. Uma feira será montada para mostrar as diferentes técnicas utilizadas no artesanato indígena.

