Isaura Daniel, enviada especial
Porto Alegre (RS) – A indústria gaúcha de frangos Doux Frangosul quer aumentar de 10% a 15% as suas exportações para os países árabes até o final do ano. A informação foi dada ontem (29) à ANBA, durante a visita do grupo de dez embaixadores e encarregados de negócios de embaixadas árabes à matriz da empresa, na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul. A companhia já envia em torno de 40% do total de suas exportações para os países árabes, principalmente Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Egito e Tunísia, o que equivale a 15 mil toneladas por mês.
A importância dos mercados do Oriente Médio e do norte da África foi um dos temas do encontro que a delegação teve com os diretores da fábrica. Os embaixadores visitaram a linha de produção da empresa e puderam ver de perto como é feito o abate halal, que segue as regras islâmicas. Pelo sistema, o frango é abatido com o peito virado para a Meca, cidade sagrada na Arábia Saudita, e decapitado ainda desperto para que saia a maior quantidade de sangue possível.
O grupo recebeu também informações sobre os cuidados sanitários e o controle de qualidade seguidos pela Doux Frangosul. "Ficamos satisfeitos em ver que o mercado árabe está consumindo frango de qualidade", disse o decano do Conselho dos Embaixadores de Países Árabes e embaixador da Palestina, Musa Odeh. Os embaixadores se mostraram bastante interesse nos dados de mercado e produção da empresa.
O diretor industrial da Doux Frangosul, Eugênio Canova de Castro, acredita que a visita pode ser o pontapé inicial para o aumento do número de países árabes que compram da indústria gaúcha. Os produtos são vendidos nos países árabes com a marca da própria companhia e também sob marcas árabes, como a da Co-op Islami, uma cooperativa dos Emirados Árabes Unidos para a qual a indústria gaúcha fornece frango.
Emprego que vem do frango
A unidade da Doux Frangosul em Montenegro é a que mais processa os frangos vendidos ao mundo árabe. A empresa tem ainda outras três unidades produtoras nas cidades gaúchas de Passo Fundo e Caxias do Sul e no estado do Mato Grosso do Sul. As quatro abatem juntas cerca de 1,05 milhão de frangos por dia.
A companhia tem capital francês e emprega 8,4 mil funcionários. O fornecimento dos animais é feito por 3,5 mil famílias de pequenos produtores, o que gera mais cerca de 15 mil empregos indiretos, de acordo com o diretor de Relações Institucionais da Doux, Aristide Inácio Vogt. A criação é acompanhada por técnicos e veterinários da própria empresa.
Durante o encontro com os diretores da Doux Frangosul, o decano do Conselho de Embaixadores Árabes falou sobre a intenção dos países árabes de estreitar relações comerciais a partir da visita ao estado e à empresa. "Sabemos que a Doux Frangosul tem relações estreitas com alguns países árabes e esperamos que elas aumentem ainda mais", disse Odeh.
A maior parte das exportações da companhia é composta por frangos inteiros. A indústria vende no exterior em torno de 35 mil toneladas por mês. As exportações têm como destino 90 países e significa cerca de 75% de todo o faturamento da empresa.
A Frangosul é a terceira maior empresa de abate de frangos do país. Seu capital era originalmente brasileiro, mas foi comprado pelos franceses em 1988. Na Europa, a Doux é a maior exportadora de frangos. Hoje (30), à tarde, o grupo de embaixadores visita a fábrica de ônibus Marcopolo, na cidade de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.

