São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a previsão de crescimento do Oriente Médio e do Norte da África, de acordo com atualização do relatório Perspectivas Econômicas Regionais divulgada nesta quarta-feira (21). A previsão para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) da região em 2015 é de 3,2%. No levantamento anterior, de outubro de 2014, a estimativa era de um aumento de 3,8%.
A projeção reduzida, porém, é maior do que o crescimento de 2,6% registrado no ano passado e de 2,1% obtido em 2013. Os números incluem 20 países árabes e o Irã.
O FMI divide as nações da região em dois blocos: exportadores de petróleo e importadores da commodity. Nesse sentido, a grande razão para a redução da previsão é a queda no preço do produto observada nos últimos meses, que afeta diretamente as receitas do primeiro grupo. A instituição lembra que as cotações do petróleo caíram 55% desde setembro do ano passado.
Sob este ponto de vista, a projeção mais recente é de um crescimento de 3% nos países exportadores de petróleo em 2015. No levantamento anterior, a expectativa era de um avanço de 3,9%. As projeções ainda seguem acima dos desempenhos registrados em 2014 e em 2013, de 2,7% e 1,9%, respectivamente.
No caso das nações importadoras do produto, a previsão de crescimento para 2015 até aumentou um pouco, foi de 3,7% em outubro para 3,8% agora. Se confirmado, o desempenho será maior do que o observado nos três anos anteriores.
As nações exportadoras deverão sofrer também efeitos fiscais, pois nestes países boa parte da arrecadação estatal vem das vendas externas da commodity. São economias bastante dependentes da indústria petrolífera.
Entre os exportadores de petróleo da região, apenas o Kuwait deve conseguir manter superávit fiscal em 2015. Na avaliação do Fundo, as perdas com a commodity deverão chegar a US$ 300 bilhões no Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e a US$ 90 bilhões nas nações que não integram o bloco (Argélia, Irã, Iraque, Líbia e Iêmen). O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã.
“A maioria dos exportadores necessita que os preços do petróleo estejam acima dos US$ 57 [por barril] estimados para 2015 para cobrir os gastos dos governos”, diz o documento do FMI. O barril da commodity está cotado abaixo de US$ 50.
Isso não quer dizer, porém, que estes países vão ter que fazer cortes drásticos em suas despesas. Segundo o FMI, a maior parte deles tem folga fiscal considerável na forma de ativos externos acumulados nos últimos anos. O Fundo avalia como “substancial” o volume de recursos disponível no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Emirados, Argélia e Líbia, mas “limitado” no Bahrein, Omã, Irã, Iraque e Iêmen.
No caso do GCC, mesmo com essa folga, o Fundo ressalta que o bloco deve ser o mais afetado pela perda de receitas petrolíferas, e a expectativa é que todos os países do grupo, com exceção do Catar, devem reduzir o ritmo de aumento dos gastos públicos em 2015. A previsão de crescimento do PIB das nações do Golfo este ano é de 3,4%, contra 4,5% no relatório de outubro. Em 2014, o grupo cresceu 3,7%.
A projeção de avanço nos países que não pertencem ao GCC é de 2,4% em 2015, ante 3,1% no levantamento de outubro.
O FMI destaca que o futuro das cotações do petróleo é incerto, pois não se sabe como a demanda vai se comportar e não é esperada redução da produção. Além disso, países com sérios problemas de segurança, como Iraque, Líbia e Iêmen, podem sofrer queda na produção da commodity e outros problemas econômicos.
Em caso de baixa prolongada, o Fundo diz que estes países terão que fazer ajustes, como redução de gastos com salários de servidores e com subsídios, e diversificar as fontes de arrecadação, recorrendo, por exemplo, a impostos sobre renda e consumo.
Importadores
Nos países importadores de petróleo da região, o efeito do produto barato é o inverso, pois sobram mais recursos para gastar em outras áreas. As nações árabes que mais devem economizar são Marrocos, Líbano, Mauritânia, Djibuti, Jordânia e Tunísia.
A queda nas cotações pode ser repassada para os consumidores, reduzir custos de produção e permitir a redução de subsídios sobre os combustíveis. Segundo o FMI, o Egito pode ser especialmente beneficiado no último caso.
Em alguns países, como Líbano e Egito, a redução dos custos com o petróleo deverá ajudar o equilíbrio fiscal, mas em outros o FMI fez previsões mais negativas do que as que tinha divulgado em outubro, pois os mercados internos crescem menos do que o esperado e os gastos públicos estão em alta. São os casos do Djibuti e da Tunísia.
Se o petróleo mais barato é um fator positivo para estes países, há variáveis negativas a considerar. Muitos deles têm a Zona do Euro como principal destino de suas exportações. Além disso, são economias que recebem recursos de imigrantes que vivem na Europa e no Oriente Médio, atraem turistas das duas regiões e investimentos do Golfo. Como o crescimento europeu e do GCC provavelmente será menor do que o anteriormente imaginado, é de se supor que por este lado haja uma perda. Os efeitos, porém, variam de país a país. O Fundo revisou para baixo, por exemplo, a expectativa de crescimento do Marrocos, mas para cima a do Egito.
O FMI recomenda que estas nações controlem os gastos por causa das incertezas sobre o preço do petróleo e sobre a disponibilidade de financiamento externo. Segundo o Fundo, a situação atual permite guardar recursos para usar em momentos de crise, direcionar dinheiro para áreas que possam induzir crescimento, reduzir a dívida pública, além de criar condições para cortar mais subsídios e transferir o que é gasto com isso para programas sociais, promover reformas tributárias e outras ações.


