Randa Achmawi
Cairo – Nunca se falou tanto do Brasil nas páginas do Al-Ahram, o principal jornal do Egito, como nos últimos dias. Após a publicação da entrevista com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na sexta-feira (08), o diário publicou reportagens com três ministros brasileiros: Luis Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Dilma Roussef (Minas e Energia).
Furlan cobrou dos empresários egípcios maior atenção ao mercado brasileiro. "O mercado brasileiro é composto de mais de 180 milhões de consumidores e queremos fazer com que os produtos egípcios possam aproveitar este mercado", disse. "Fico muito triste pois os egípcios parecem não dar atenção às possibilidades que lhes oferecemos e à exportação de seus produtos ao Brasil", acrescentou.
Como exemplo, o ministro disse que ao mesmo tempo em que as exportações brasileiras para o Egito aumentaram mais de 30% no ano passado, as importações de produtos egípcios diminuíram em 3%. "Por isso temos que aumentar os esforços para introduzir os produtos egípcios no mercado brasileiro. Devo ressaltar que com o crescimento da economia brasileira o poder de consumo médio dos habitantes também aumenta. É uma pena não se aproveitar disto", afirmou Furlan, acrescentado que o governo brasileiro quer ajudar os empresários e o governo egípcios a promover produtos no Brasil.
Furlan cobrou também das autoridades egípcias maior atenção às negociações com o Mercosul. O país árabe e o bloco sul-americano negociam atualmente um acordo de preferências tarifárias.
Petróleo e gás
Já a ministra Dilma Roussef disse ao Al-Ahram que é essencial que a cooperação nas áreas de petróleo e gás esteja na pauta de discussões da cúpula dos países árabes e sul-americanos, que será realizada em maio em Brasília. Para Dilma, é preciso maior intercâmbio e diálogo na área da energia. "O presidente Lula está muito preocupado com esta questão e acredita que uma maior aproximação nesta área, sobretudo com os países do Golfo, é essencial para o Brasil", disse.
No que diz respeito aos planos de investimentos futuros no Egito e no mundo árabe, a ministra explicou que o país está muito interessado em investir nesta área. "Temos um grande interesse em aumentar o nível de nossas atividades na área do petróleo e do gás em países em desenvolvimento. Queremos fazer isso com países africanos, latino-americanos e no Oriente Médio", declarou. Ela ressaltou o fato de que existem atualmente discussões com o Egito a respeito de um aumento dos investimentos no setor.
Quanto ao chanceler Celso Amorim, além de falar da política externa brasileira, ele disse que o Egito representa a chave que abre as portas do mundo árabe. "O papel deste país é essencial para o estabelecimento de um novo mapa político, dedicado ao alcance de um equilíbrio em nível internacional", disse Amorim. Ele reafirmou a necessidade de que um representante do mundo árabe torne-se membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

