Alexandre Rocha
São Paulo – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior vai promover entre os dias 20 e 22 de novembro uma missão comercial para a Argélia, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A delegação será liderada pelo próprio ministro Luiz Fernando Furlan.
Durante a viagem, a delegação brasileira, que será composta por integrantes do governo e empresários, vai se encontrar com autoridades argelinas, apresentar dados sobre a economia do Brasil e manter encontros de negócios com empresas e entidades do país árabe.
Está será a segunda missão brasileira liderada por um ministro ao país do Norte da África em pouco mais de dois anos. Em setembro de 2003, a então ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef, hoje chefe da Casa Civil da Presidência, esteve na Argélia acompanhada de representantes do setor privado.
Para a ajudar na organização da missão, a Fiesp vai realizar na quinta-feira (03), a partir das 14h30, o workshop "Oportunidades de Negócios na Argélia". Segundo a Fiesp, o evento terá a participação do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado ao ministério, Mario Mugnaini; do diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Gianetti da Fonseca; do secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby; de um representante da embaixada da Argélia; e do assessor especial do ministro, José Mauro Couto.
"A Argélia vem se tornando um importante parceiro comercial do Brasil. É o nosso segundo maior parceiro comercial no continente africano. Além disso, a população argelina possui um dos maiores poderes aquisitivos da África. Os altos rendimentos provenientes da alta dos preços do petróleo têm contribuído para a manutenção de vantajosos saldos na balança comercial e atraído divisas para o país", diz Gianetti em convite enviado para membros da Fiesp.
De fato, conforme a ANBA noticiou na semana passada, o saldo da balança comercial da Argélia chegou a US$ 15,5 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, 36,28% a mais do que no mesmo período do ano passado. As exportações do país renderam US$ 31,28 bilhões, valor 26,37% superior ao registrado entre janeiro e setembro de 2004, e as importações, US$ 15,72 bilhões, um crescimento de 17,88%. Os produtos do setor petrolífero influenciaram fortemente o desempenho, já que eles responderam por 97,8% do total das exportações. Em 10 anos o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da Argélia cresceu 75%.
"A Argélia é a principal parceira do Brasil no mundo árabe, se considerarmos a corrente comercial (exportações mais importações). É um mercado em expansão que passa por um processo de abertura promovido pelo governo e tem uma indústria primária ainda de pequena significância. Então eles precisam comprar matérias-primas, máquinas e equipamentos e produtos acabados", declarou Michel Alaby.
De acordo com a Fiesp, os produtos que mostram grande potencial de vendas para o mercado argelino são os alimentos, como açúcar, café, leite, confeitaria, doces, biscoitos, chocolates, sucos, carne bovina congelada, óleos essenciais, aditivos alimentícios, mentol, frutas secas, amendoim, amido de milho e pimenta; medicamentos genéricos; móveis; papel; autopeças; veículos; tratores e equipamentos agrícolas; plásticos; máquinas e equipamentos para a agroindústria, para o setor de embalagens e de plásticos; material de construção; eletrodomésticos; madeira; equipamentos médicos; equipamentos para obras públicas; tubos de aço; aço; fraldas; tecidos; alimentos para animais; aparelhos para refrigeração; produtos cirúrgicos; calçados; material escolar; e sementes.
Balança
As exportações do Brasil para a Argélia vêm crescendo, embora a balança seja bastante deficitária para o lado brasileiro. A nação árabe é um dos principais fornecedores de petróleo para o Brasil.
Os embarques de produtos brasileiros para o país árabe renderam quase US$ 316 milhões nos nove primeiros meses de 2005, um aumento de 29%. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do governo, os principais produtos vendidos foram açúcar, carne bovina, óleo de soja, automóveis, peças para refrigeradores, leite em pó, fios de alumínio, tubos de ferro e aço, tratores e carretas.
As importações brasileiras, por sua vez, somaram US$ 2,1 bilhões, um crescimento de quase 50% em comparação com o período de janeiro a setembro de 2004. Os principais produtos comprados pelo Brasil foram petróleo, naftas para a indústria petroquímica, fertilizantes, hélio líquido e cortiça.

