Alexandre Rocha
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São Paulo – O embaixador do Brasil em Ancara, na Turquia, Cesario Melantonio Neto, visitou ontem (22) a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo. Ele vai deixar o posto nos próximos meses para assumir a embaixada brasileira no Cairo, capital do Egito, o que deverá ocorrer no final do primeiro semestre, após ser sabatinado pelo Senado Federal. Melantonio vai substituir o atual embaixador, Elim Dutra.
À diretoria da entidade, o diplomata disse que a transferência para o Cairo é resultado de escolha própria. “Escolhi o Egito por antes ter estado no Irã e na Turquia, portanto é uma opção natural, além de acadêmica”, disse. Além de representar o Brasil frente ao governo egípcio, ele será o observador do Brasil junto à Liga dos Estados Árabes, que tem sede no Cairo.
O presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr., falou sobre os serviços prestados pela entidade, as ações de promoção comercial que realiza e sobre os convênios que mantém com órgãos públicos brasileiros, como o Itamaraty, os ministérios do Turismo e da Agricultura, a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) e o governo do estado de São Paulo.
“Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho da Câmara com os países árabes e vou ter a entidade como ponto de referência no meu trabalho com o Egito e a Liga”, afirmou o diplomata. “A Câmara estará à disposição no que puder ajudar”, respondeu Sarkis.
Entre as idéias que pretende executar quando assumir o cargo, Melantonio disse que quer promover uma presença maior de empresas brasileiras no Egito, não somente no que diz respeito ao comércio exterior, mas também no estabelecimento de negócios no país, trabalho que já realiza na Turquia.
Ele pretende identificar companhias que têm interesse em se instalar no Egito, empresas que querem começar a exportar para lá, encontrar maneiras de incentivar os negócios de quem já exporta, além de detectar oportunidades de cooperação em outros segmentos, como o financeiro, o turístico e o acadêmico.
Melantonio destacou também a importância de convencer empresários e autoridades estrangeiras a visitar o país. Ele citou o exemplo do atual presidente da Turquia, Abdullah Gul, que esteve no Brasil quando era ministro das Relações Exteriores. “Havia um ‘gap’ de informações, ele achava que o Brasil tinha um nível de desenvolvimento inferior ao que realmente tem. A visita mudou as relações”, disse o diplomata, que estava acompanhado do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Miguel Haddad, que é também presidente do Conselho Empresarial Brasil-Turquia pelo lado brasileiro.
Antes de assumir o cargo no Egito, ele vai acompanhar a visita ao Brasil do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que deverá coincidir com a inauguração de um vôo direto entre os dois países da Turkish Airlines. Neste meio tempo deverá visitar o Brasil também o chanceler egípcio, Ahmed Aboul Gheit, antes da realização de uma reunião de ministros das Relações Exteriores árabes e sul-americanos em Buenos Aires.
Observador
Na seara da Liga, o diplomata terá como função aprofundar a relação do Brasil com os 22 países árabes nas áreas política, econômica e cultural. Neste sentido, ele vai acompanhar o trabalho da instituição, indicar ao governo brasileiro quais são os setores passíveis de cooperação bilateral e depois atuar para implementar eventuais acordos. O Brasil é o primeiro país latino-americano a ter o posto de observador permanente na Liga Árabe.
“Esta é uma das prioridades da política externa brasileira”, declarou. “A aproximação com o mundo árabe é fundamental”, acrescentou. Para ele, a presença de uma grande comunidade de origem árabe no Brasil dá ao país “vantagem comparativa” nesse relacionamento.
Melantonio, de 58 anos, é formado em direito e em ciências políticas e entrou na carreira diplomática em 1972. Além dos cargos de embaixador na Turquia e no Irã, ele ocupou postos em representações brasileiras em oito outros países, entre eles França, México, Espanha, Itália e Alemanha.
Além de Sarkis e Haddad, participaram da reunião os vice-presidentes da Câmara Árabe Paulo Atallah (administrativo), Helmi Nasr (relações internacionais), Rubens Hannun (marketing), Salim Schahin (comércio exterior), o secretário-geral, Michel Alaby, e o diretor Mustapha Abdouni.

