São Paulo – O embaixador Luiz Alberto Figueiredo, negociador-chefe do Brasil na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, afirmou nesta quarta-feira (13) que o G77+China, grupo de nações em desenvolvimento, apresentou uma proposta de criar um fundo com US$ 30 bilhões para financiar o desenvolvimento sustentável.
Essa proposta, segundo afirmou Figueiredo em uma entrevista coletiva realizada no Rio de Janeiro, foi apresentada pelos 132 países pobres ou emergentes que compõem o G77 em rodadas de negociações para a conferência, realizadas em Nova York, no começo deste mês. Brasil, China, Chile, Argélia, Argentina, Egito, Líbano, Kuwait, Mauritânia e Arábia Saudita são alguns dos países que compõem o bloco.
Machado não forneceu detalhes sobre a proposta, mas afirmou que ela pode ajudar os países a avançar nas negociações sobre o documento final que deverá ser assinado por chefes de estado na cúpula que será realizada entre os dias 20 e 22. Um dos entraves da negociação trata da forma como os projetos sustentáveis serão financiados e, assim, implantados.
“O grupo do G77+China tem a ideia da criação de um fundo para o desenvolvimento sustentável, de U$ 30 bilhões. Essa é uma proposta que conta com respaldo do grupo e faz parte da negociação que está sendo conduzida”, disse o embaixador.
O “rascunho zero”, documento que compreende as propostas dos participantes e que é a base das negociações, prevê que os países emergentes tenham acesso a financiamentos para promover o desenvolvimento sustentável em seu território. Esse documento recomenda que instituições financeiras como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e bancos regionais de fomento apoiem iniciativas em favor da economia verde.
Dilma pede comprometimento
Em seu discurso na inauguração do Pavilhão Brasil na Rio+20, que reúne um exposição sobre projetos do governo federal e será palco de debates, a presidente Dilma Rousseff afirmou que todos os países precisam assumir compromissos em busca do desenvolvimento sustentável, especialmente os ricos. Ela disse que não apenas em momentos de estabilidade econômica deve haver preocupação com o tema, em referência à crise na Zona do Euro.
“Um posicionamento pró-crescimento, de preservar e conservar, é intrínseco à concepção de desenvolvimento, sobretudo diante de crises”, afirmou. Ela disse também que a sustentabilidade é um dos “eixos da nossa convicção de desenvolvimento”. Dilma deverá retornar ao Riocentro, o pavilhão que concentra a maior parte das negociações e discussões da Rio+20, entre os dias 20 e 22, quando todos os chefes de estado participantes da conferência se reunirão.

