Agência Sebrae
Brasília – Divulgar internacionalmente a cozinha brasileira, com a promoção de pratos nacionais em outros países e contribuir para que a gastronomia também constitua um atrativo turístico. Este tem sido um dos focos de atuação do movimento Brasil Sabor, desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e Ministério do Turismo. Para isso, já foram agendados e devem acontecer novas participações do projeto em eventos no exterior.
Em maio de 2006, o Brasil Sabor esteve presente na National Restaurant Association (NRA) Show, em Chicago (EUA), feira de operadores de bares e restaurantes norte-americana. Participantes e visitantes da NRA, americanos e de outras nacionalidades, tiveram a chance de degustar delícias da gastronomia brasileira, como pão de queijo, goiabada, doce de leite, escondidinho e guaraná. "Era curioso. As pessoas olhavam o prato, faziam uma cara estranha, mas quando provavam iam ao delírio", recorda o presidente da Abrasel, Paulo Solmucci.
Em junho, o Brasil Sabor passou por Nova York. Durante duas semanas, quatro chefs brasileiros prepararam pratos típicos no restaurante da Organização das Nações Unidas (ONU). Solmucci lembra que os pratos que mais agradaram os funcionários das Nações Unidas foram a moqueca de peixe, o lombo suíno assado, o acarajé e o doce quindim.
"A média de refeições servidas no restaurante da ONU era de 250 a 300 por dia. Na nossa segunda semana lá, o número de refeições chegou a 800", conta, orgulhoso, o presidente da Abrasel. "Cozinhamos para eles alguns pratos que consideramos simples, só que fascinaram os freqüentadores do restaurante", lembra. "Esse é mais do que um atestado do padrão de qualidade da nossa comida".
Para 2007, já há um calendário do Brasil Sabor no exterior. O movimento volta a Chicago, para o evento da NRA e viaja para Londres, em novembro. Segundo a organização do movimento gastronômico, além da Inglaterra, mais dois países da Europa irão receber a culinária brasileira. Provavelmente serão Espanha e Portugal, segundo a Abrasel.
Para o coordenador nacional da carteira de projetos de Turismo da Unidade de Atendimento Coletivo Comércio e Serviços do Sebrae, Dival Schmidt, além de divulgar a gastronomia brasileira no exterior, a participação em eventos como a NRA contribui para que instituições e empresários do país mantenham contato com o que existe de mais avançado em termos de técnicas vigentes em nações como os Estados Unidos e a França.
"Claro que não queremos reproduzir a cozinha francesa no Brasil, porém podemos usar técnicas de preparo dos alimentos que os franceses utilizam", ressalta Dival Schmidt. "A nossa gastronomia já possui toda uma riqueza de sabores. Precisamos apenas assimilar algumas sistematizações e conceitos", completa.
Paulo Solmucci considera que, ao mesmo tempo em que a gastronomia brasileira possui um brilho todo especial por sua diversidade, essa variedade põe um pouco de obstáculos para um reconhecimento imediato pelo público estrangeiro, como ocorre com as culinárias francesa, mexicana, chinesa, japonesa, italiana, árabe e espanhola.
"No Brasil, você muda de um estado e a gastronomia se transforma", observa Solmucci. "Esses eventos no exterior podem servir para que possamos conscientizar os estrangeiros sobre a nossa variedade étnica e cultural, para que, em seguida, eles compreendam a diversidade de nossa gastronomia", ressalta.
Na opinião de Dival Schmidt, é necessário divulgar a gastronomia brasileira no exterior e no próprio país, já que em cada região existem pratos bem característicos, nem sempre com alcance nacional. "Estados da Amazônia como o Amapá possuem receitas maravilhosas de pratos feitos com peixes. Isso precisa ser mais divulgado e disseminado".
Schmidt lembra como iniciativa favorável à divulgação dessa diversidade gastronômica internamente o Salão Brasileiro de Turismo, realizado em São Paulo em 2006. Na ocasião, a Abrasel montou uma praça de alimentação com a presença de dois pratos típicos de cada estado.

