São Paulo – Os países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) – bloco econômico que inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã – devem investir US$ 25 bilhões na geração de energia elétrica nos próximos dez anos para suprir a crescente demanda, segundo informa o jornal Gulf News, de Dubai.
"Como resultado do crescimento populacional, a demanda energética da região cresce rapidamente. Para suprir esta demanda, o GCC requer 100 gigawatts de energia nos próximos dez anos. Isso requer um investimento de US$ 25 bilhões”, declarou Adnan Ameen, diretor geral da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), em congresso promovido na semana passada pelo Centro dos Emirados para Pesquisa e Estudos Estratégicos (ECSSR).
Segundo o executivo, o rápido aumento no consumo energético da região gera forte pressão na indústria petrolífera e de gás da região. "A demanda por petróleo e gás natural cresce, o que resulta em falta das commodities na região. Isso também resulta em grande demanda por hidrocarbonetos, que recebem fortes subsídios na região, o que acaba reduzindo os volumes para exportação e as receitas geradas”, acrescentou o executivo.
Segundo Ameen, os Emirados caminham a passos largos na diversificação de suas fontes energéticas, criando um futuro mais sustentável para sua população. Entre estas iniciativas está a Masdar, que investe bilhões de dólares em projetos de energia renovável, entre eles a Masdar City, a primeira cidade do mundo com emissão zero de gás carbono, e o Masdar Institute, cujo foco está na pesquisa de tecnologias para energias alternativas e desenvolvimento sustentável.
De acordo com Ameen, outros países do GCC também investem em projetos energéticos limpos. “O Bahrein está desenvolvendo uma grande fazenda de geração eólica no mar, o Kuwait pretende instalar grandes unidades para geração solar, Omã está desenvolvendo seis projetos pilotos para geração de energia renovável e o Catar está estudando o investimento em usinas solares. Já a Arábia Saudita planeja aplicar US$ 133 milhões em projetos de energia renovável”.
Para o diretor geral da Irena, em meados deste século energias renováveis têm potencial para se transformar em um dos principais setores da economia dos países do GCC. "Com seus recursos naturais, o GCC pode não apenas suprir sua própria demanda energética, como também se transformar em um dos grandes exportadores de energias provenientes de fontes renováveis”, declarou ele.
Energias renováveis, segundo Ameen, estão entre as poucas opções para enfrentar o que ele acredita ser um dos maiores desafios do século 21: garantir a segurança energética e fornecer energia a milhões de pessoas que não têm acesso a ela enquanto busca-se evitar as mudanças climáticas.
Entretanto, segundo ele, "o GCC está no caminho para cumprir a promessa energética, com comprometimento e visão, e pode chegar a ser um dos líderes globais no campo de energia renovável”, terminou ele.
*Tradução de Mark Ament

