Marina Sarruf
São Paulo – O cabeleireiro libanês Georges Azzar, que trabalha há três anos num dos salões de beleza mais conhecidos do Brasil, Jacques Janine, já penteou os cabelos de duas princesas árabes, uma do Bahrein e uma da Arábia Saudita. Habib, como é chamado por suas freguesas brasileiras e que quer dizer "querido" em árabe, chegou em São Paulo em dezembro de 2001 para visitar alguns parentes e resolveu ficar na cidade.
Azzar nasceu no Líbano, mas morou por 16 anos em Paris, onde trabalhou em dois salões, no Alexandre Zouari e no Jacques Dessanges, e teve o contato com as princesas árabes. "Foi uma cliente minha que me indicou para uma princesa do Bahrein. Nas primeiras vezes, a princesa viajava a Paris para eu arrumar os cabelos dela, depois me convidou para ir morar no Bahrein e ser seu cabeleireiro exclusivo", disse.
Azzar aceitou a proposta e foi morar num dos seis palácios da família real. Ele prefere não divulgar o nome das famílias e das princesas. "Morei três meses no país árabe. Ela tinha um salão dentro do palácio, onde eu pintava, cortava e penteava os cabelos dela e de sua família", conta.
De acordo com Azzar, a princesa era uma mulher moderna, tinha cabelos escuros e longos, mas chegou a pintá-los de loiro e vermelho. "Ela fazia de tudo para ficar mais bonita para o marido. Debaixo do véu existia uma mulher muito bonita, inteligente e moderna", afirma. Após três meses no Bahrein, Azzar decidiu voltar a Paris. Mesmo assim ele continuava viajando ao país árabe, para cuidar dos cabelos da princesa. Por três anos, passava três semanas na França e uma no Bahrein.
Ainda na França, Azzar também recebeu um convite para arrumar os cabelos de uma princesa saudita. Apesar de ser da Arábia Saudita, a princesa morava num palácio no Cairo com suas duas filhas. "Fui para o Egito umas quatro vezes para arrumar a princesa e suas filhas", disse.
Segundo ele, as mulheres árabes gostam muito de se arrumar, compram vestidos justos e luxuosos, passam maquiagem e pintam os cabelos. Só o marido, porém, e as demais mulheres podem vê-las descobertas. "No palácio do Bahrein tinha festas para as mulheres quase todos os dias, lá elas também podiam ficar sem o véu", conta.
No Brasil
Azzar se interessou pela profissão na adolescência. "Comecei a trabalhar como auxiliar de cabeleireiro num salão em Beirute. Com 17 anos fui para Paris fazer um curso e quando cheguei lá descobri que tinha faculdade para cabeleireiro e entrei, foram três anos", afirma.
Além do Brasil, Líbano, França e Bahrein, Azzar também morou na Itália. Ele viajou pela primeira vez a São Paulo em 1990 para visitar um irmão, que já vivia na cidade. "Tenho parentes espalhados pelo Brasil todo. Tem mais gente aqui do que em Beirute", afirma. Ele ficou definitivamente no país na segunda vez que veio visitar os parentes, em dezembro de 2001.
"Gostei do país e do povo brasileiro. Larguei tudo em Paris e resolvi me mudar para São Paulo. Meu sangue libanês é que me permitiu essa aventura", afirma Azzar, que não sabia falar uma palavra em português quando chegou.
"Aqui em São Paulo toda a minha família trabalhava com comércio, ninguém tinha contato com profissionais da minha área, então eu mesmo fui atrás", disse o cabeleireiro. De acordo com ele, sua entrada no Jacques Janine foi por um acaso. "Fiz um teste na brincadeira e consegui uma vaga no Shopping Morumbi, onde fiquei um mês e depois vim para a unidade da rua Augusta", conta. Segundo Azzar, seu plano é ficar no Brasil e ter o seu próprio salão no futuro.

