São Paulo – A Gerdau, multinacional brasileira do mercado de aço, acredita que medidas adotadas por governos para minimizar o impacto da crise mundial em suas economias, ajudem a impulsionar as vendas de aço. Em coletiva de imprensa realizada ontem (19), o diretor-presidente da companhia, André Gerdau Johannpeter, e o vice-presidente executivo de finanças, controladoria e relações internacionais, Osvaldo Schirmer, afirmaram esperar reações, em função de ações dos governos, das vendas nos Estados Unidos e Brasil.
No Brasil, segundo Johannpeter, terão impacto positivo no mercado as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), além das medidas de estímulo à construção civil e a redução do IPI sobre os carros. “Já foram observados alguns sinais de melhoria no mercado interno”, diz Johannpeter. Também nos Estados Unidos os investimentos anunciados pelo governo em infraestrutura devem demandar mais aço, de acordo com Schirmer. Nos Estados Unidos, o ponto forte da produção da Gerdau são produtos para infraestrutura.
A crise mundial afetou fortemente o desempenho da siderúrgica no último trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2008. Houve redução de 24,4% nas vendas de aço, que ficaram em 3,5 milhões de toneladas. A empresa teve aumento de faturamento bruto, de 16% para R$ 10,5 bilhões, em função da variação cambial, conversão de receitas do exterior e consolidação de novas empresas, mas redução de 67,1% no lucro líquido, para R$ 311 milhões. O Ebitda caiu 9,6% para R$ 1,5 bilhão.
A alta demanda no mercado de aço até setembro do ano passado, no entanto, deixou positivo o desempenho da empresa no ano. O faturamento bruto evoluiu 36,7% em 2008 e ficou em R$ 46,7 bilhões. O lucro líquido consolidado alcançou R$ 4,9 bilhões, com aumento de 14,9% sobre o ano anterior, e o Ebitda ficou em R$ 10 bilhões contra R$ 6,2 bilhões em 2007. O volume de vendas cresceu 11,4% para 19,1 milhões de toneladas.
As vendas de aço da Gerdau no Brasil, no ano passado cresceram ainda mais, 22,1% e ficaram em 4,8 milhões de toneladas. A forte demanda interna chegou a causar a redução das exportações, que caíram em 11,1% para 1,7 milhão de toneladas. O último trimestre do ano, porém, não foi bom nem para o mercado interno. De acordo com Johannpeter, a estratégia da empresa, diante da crise, tem sido ajustar o seu nível de produção de estoque à demanda. “Estamos preparados para enfrentar a crise”, diz o diretor-presidente.
A companhia está negociando a suspensão temporária de contratos de trabalho com sindicatos de trabalhadores e vai rever seu cronograma de investimentos. Johannpeter garante que os investimentos não serão cancelados, que serão aplicados os US$ 3,6 bilhões em cinco anos, mas que a execução dos projetos dependerá da reação de cada mercado. As obras que já estavam em mais de 20% do seu estágio não foram canceladas, segundo ele.
A Gerdau tem operações nas Américas, Europa e Ásia com capacidade instalada de 26 milhões de toneladas de aço. A empresa é líder em aços longos nas Américas e líder mundial em aços especiais para o indústria de automóveis. A companhia está listada na Bolsa de Valores de São Paulo, Nova Iorque, Toronto e Madri.

