Riad – Não é de hoje que o Brasil exporta executivos, vide o presidente mundial do grupo Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, e o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, que foi presidente mundial do Bank Boston. Mas agora o país exporta também gestores públicos que aplicam no exterior práticas bem sucedidas no Brasil.
É o caso do curitibano Adalberto Netto, que mora há um ano e três meses em Riad, na Arábia Saudita, e trabalha como especialista de estratégia e planejamento do Programa Nacional de Desenvolvimento de Clusters Industriais, vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio.
Netto tem como missão implantar no país árabe um sistema de clusters, ou arranjos produtivos locais (APLs), voltados para as indústrias automotiva, de plásticos e embalagens, de metais, de bens de consumo duráveis e de material de construção. Para tanto, ele utiliza a experiência que adquiriu trabalhando no Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), órgão que tem forte atuação na criação e gestão de APLs ao redor do Brasil.
“O governo saudita está criando o programa para atrair investimentos para essas cadeias produtivas, com incentivos diferenciados”, afirmou. “A idéia é construir os clusters com investimentos estrangeiros”, acrescentou.
Neste momento, segundo ele, diversas empresas internacionais estão avaliando o potencial do país e “descobrindo que a Arábia Saudita tem um mercado muito grande, e que uma forma de atingi-lo é investindo”. Além disso, o país pode servir de plataforma de exportação para todo o Oriente Médio e Norte da África e outras regiões, como Índia, Sudeste Asiático e Leste Europeu.
Uma grande vantagem comparativa da economia saudita, segundo Netto, é a disponibilidade de energia a preços baixos, já que o país é grande produtor de petróleo e gás. Um dos critérios de seleção das indústrias que integram o programa é o fato de todas utilizarem energia de forma intensiva.
Ele acrescentou que a receptividade do projeto tem sido “muito boa” entre empresas dos Estados Unidos, Europa, Japão e Ásia em geral, e que há interesse também de companhias brasileiras. Netto ressaltou, no entanto, que tratam-se de negócios de grande porte e de longo prazo de maturação.
A oportunidade surgiu para o administrador de empresas de 39 anos quando ele procurava trabalho em Londres, na Inglaterra, por meio de headhunters. Além da experiência no Sebrae, contou para o interesse dos sauditas o fato de Netto ter trabalhado antes na Petrobras e, portanto, conhecer a área de petróleo e gás.
Casado e pai de dois filhos, Netto trouxe a família para morar e em Riad e diz que não tem do que reclamar. “A adaptação foi tranqüila”, disse ele, que mora em um condomínio onde vivem estrangeiros.
Depois de passar mais de um ano no país, passou a concordar que os árabes são bastante parecidos com os brasileiros no trato pessoal.

