Emirates News Agency*
Dubai – Em 2005 os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) investiram US$ 31 bilhões em contratos de engenharia, compras e construção (EPC, na sigla em inglês), conhecidos também como contratos de empreitada global, segundo relatório da revista árabe de economia Middle East Economic Digest (Meed). Neste tipo de negócio, a empresa contratada se responsabiliza pelo fornecimento de todo o material e serviços necessários à execução da obra. A previsão para 2006 é que de que o total de recursos aplicados no setor chegue a US$ 44 bilhões.
Os investimentos realizados no ano passado foram recordes para a região e refletem o crescimento do GCC em todos os setores, incluindo energia e construção. Fazem parte do bloco econômico a Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
A empresa com maior participação foi a francesa Technip, que fechou contratos no valor de quase US$ 6 bilhões no GCC, entre eles a expansão do programa de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, avaliada em US$ 4 bilhões, segundo informações do jornal Khaleej Times, dos Emirados.
Após a aprovação da construção de duas unidades de produção para a Qatargas no final de 2004, a Technip também foi contratada para instalar mais duas unidades de produção de gás nos projetos RasGas III e Qatargas 3 e 4. Estes contratos foram fechados em parceria com a Chiyoda Corporation do Japão.
A italiana Snamprogetti e a japonesa JGC Corporation foram, respectivamente, a terceira e quarta empresas que mais fecharam negócios na área de engenharia no GCC. A primeira firmou contratos no valor de US$ 3,15 bilhões e a segunda de US$ 2,5 bilhões, com obras em desenvolvimento em Abu Dhabi e na Arábia Saudita.
Em 2005 a Bechtel e a Fluor, duas empresas norte-americanas especializadas em projetos de empreitada global retornaram para o mercado do GCC. Elas fecharam contratos de US$ 2,25 bilhões e US$ 1,75 bilhão, respectivamente.
Empreiteiras sul-coreanas receberam contratos avaliados em mais de US$ 3,5 bilhões para obras no setor de petróleo e gás, enquanto a empresa norte-americana Washington Group International vai executar seu primeiro contrato na região em muitos anos, tendo vencido uma licitação de US$ 360 milhões para uma usina de processamento de enxofre na planta Ras Laffan, no Catar. Este projeto será executado em parceria com a empresa Al-Jaber Energy Services, de Abu Dhabi.
A espanhola Tecnicas Reunidas venceu duas licitações na Arábia Saudita, uma para a modernização da refinaria Rabigh e para a construção da usina de líquidos de gás natural de Hawiyah. A empresa Petrofac International, dos Emirados Árabes Unidos, terminou o ano com contratos de mais de US$ 1,65 bilhão.
Este ano
Para o ano de 2006 está previsto um novo recorde, com previsão de mais de US$ 44 bilhões em contratos. O foco, no entanto, deve mudar para a Arábia Saudita e para seus campos petrolíferos, enquanto que 2005 o foco principal foi o setor de gás natural do Catar.
De acordo com o estudo da Meed, a Saudi Aramco, estatal saudita do petróleo, pretende dar início a contratos avaliados em US$ 18 bilhões para aumentar a produção petrolífera terrestre do país em mais de 1,5 milhão de barris. Estes projetos serão desenvolvidos nos campos de Khurais, Shaybah e Nuayyim.
Também devem ser desenvolvidos importantes projetos de exploração marítima. A Saudi Aramco deve fechar um pedido de vários bilhões de dólares por cerca de 20 novas plataformas para produção, que devem ser instaladas nos campos marítimos de Marjan, Zuluf, Berri e Safaniya.
Grandes projetos marítimos devem ser desenvolvidos no setor petrolífero e de gás no GCC neste ano. A dinamarquesa Maersk Oil & Gas está desenvolvendo um projeto de US$ 5 bilhões no campo Al-Shaheen do Catar. A intenção é dobrar a produção para chegar a 525 mil barris produzidos ao dia até 2010.
Em Abu Dhabi será escolhida em breve uma empresa para executar um projeto de gás de US$ 2 bilhões no campo de Umm Shaif, também está sendo esperada a seleção de empresas para construir duas novas refinarias de exportação para a Saudi Aramco.
*Tradução de Mark Ament

