Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – A negociação do acordo comercial com o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados, Kuwait e Omã, está entre as prioridades do Mercosul neste segundo semestre. A informação foi divulgada pelo diretor do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, Evandro Didonet, ontem (04), durante o 120º Encomex, encontro de comércio exterior que ocorreu na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), na capital paulista.
De acordo com Didonet, as negociações com os árabes devem ser retomadas até neste semestre. Hoje (05) haverá em Montevidéu, no Uruguai, uma reunião de coordenação do Mercosul, a partir da qual os países integrantes do bloco devem propor um novo encontro com o grupo do Oriente Médio. As tratativas pelo acordo foram iniciadas formalmente em maio de 2005, quando ocorreu a Cúpula dos Países Árabes e Sul-Americanos, em Brasília, e na qual os dois blocos assinaram um acordo quadro, que deu o pontapé inicial nas negociações.
O andamento do acordo, porém, emperrou na falta de consenso a respeito das concessões do Mercosul à importação de produtos petroquímicos do mundo árabe. De acordo com Didonet, a indústria petroquímica brasileira, baseada no fato de que os árabes estão fazendo investimentos altos na área, acredita que não poderá competir com os produtos do Oriente Médio caso eles tenham algum tipo de benefício tarifário. O segmento petroquímico, porém, segundo o diretor, é o grande interesse dos árabes. "Vamos ver até onde poderemos ir", disse Didonet, em entrevista à ANBA.
Didonet afirma que, resolvida essa questão dos petroquímicos, bastará uma rodada de negociações para que o acordo seja fechado. "O Conselho de Cooperação do Golfo é o segundo maior mercado importador de produtos agrícolas do mundo", disse o ministro durante sua palestra no Encomex para lembrar a importância que o acordo pode ter para o Brasil, um dos maiores produtores agrícolas mundiais. O Golfo Arábico faz parte de uma lista de cinco regiões que o bloco sul-americano definiu como prioridade para as negociações de acordos comerciais extra-regionais neste semestre.
Além dos árabes, fazem parte do grupo também a União Européia, União Aduaneira da África Austral (Sacu), Índia e Israel. No foro multilateral, porém, a prioridade, para o comércio exterior brasileiro, segundo Didonet, é a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Neste caso, porém, o Brasil não negocia pelo Mercosul, mas individualmente, ao lado dos demais países em desenvolvimento interessados no tema. Países agrícolas como o Brasil querem que Estados Unidos e União Européia abram seus mercados agrícolas. Em contrapartida, os dois países querem concessões para vender serviços e bens industriais nos países em desenvolvimento.
Os Encomex ocorrem desde 1997 em diferentes regiões do Brasil e têm como principais objetivos estimular o comércio exterior, principalmente das empresas de menor porte, e ser um canal de diálogo entre o setor privado exportador e o governo federal. Os Encomex são organizados de forma conjunta por entidades públicas e privadas.

