Riad – As negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo foram tema de conversas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve neste final de semana, em Riad, com o rei saudita Adullah Abdulaziz Al Saud e com secretário-geral do bloco de países do Golfo, Abdulrahman Al Attiyah.
Apesar das declarações de boas intenções o processo tem avançado pouco, pois há um impasse sobre a liberalização do comércio de produtos petroquímicos. Para Lula, é possível assinar o tratado nas partes onde há consenso e deixar os temas mais sensíveis para um segundo momento.
As negociações foram lançadas em 2005, mas travaram dois anos depois por causa do temor da indústria petrolífera brasileira com a concorrência das empresas do Golfo. Representantes da Braskem, maior petroquímica do Brasil, que pertence ao grupo Odebrecht, disseram que se a tarifa de importação, hoje em 14%, fosse reduzida a zero, o setor sofreria graves conseqüências.
Hoje o Brasil tem duas grandes companhias do ramo, a Braskem e a Quattor, resultado de uma joint-venture entre a Petrobras e a Unipar. Ambas têm pretensão de conquistar importantes fatias do mercado internacional. Para os executivos da Braskem, esse é o modelo ideal para a indústria no país.
De acordo com o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, Lula sugeriu aos líderes árabes a cooperação na área petrolífera como uma das formas de amenizar o problema e convidou o ministro saudita do Petróleo, Ali Al-Naimi, a visitar o Brasil. Garcia disse que um dos objetivos dessa viagem poderia ser até avaliar a possibilidade de realização de parcerias entre a Petrobras e a estatal Saudi Aramco.
Outra idéia, segundo o assessor especial, é a formação de grupos de trabalho para discutir o destravamento das negociações entre o Mercosul e o GCC. Para os executivos da Braskem, a melhor solução seria incentivar parcerias no setor petroquímico, ao invés de derrubar a tarifa.
Quando o processo foi iniciado, a diplomacia brasileira acreditava que ele seria relativamente rápido, uma vez que os dois blocos têm poucas indústrias que competem entre si, sendo que a cadeia do petróleo é o setor onde os países do Golfo têm maior competitividade. O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.
Durante a segunda Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), realizada no final de maio, em Doha, representantes dos dois blocos, atualmente presididos por Paraguai e Omã, divulgaram um comunicado comprometendo-se a apressar a conclusão das negociações e a encontrar “soluções criativas” ao impasse. Neste domingo, Lula disse que “um acordo bem sucedido representaria um impulso a comércio”.

