Hamburgo (Alemanha) – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, respondeu nesta sexta-feira (4) em Hamburgo, na Alemanha, durante seminário sobre oportunidades de investimentos no Brasil, às críticas feitas nesta semana ao país pelo economista Paul Krugman, da Universidade de Princeton, no estado de Nova Jersey (EUA). Segundo Mantega, Krugman pode ficar tranquilo porque o governo não permitirá que se criem bolhas e ele poderá continuar lucrando com seus investimentos no Brasil.
Na última terça-feira (2), Paul Krugman disse em São Paulo que o Brasil deve olhar com cuidado o aumento muito rápido do investimento financeiro do exterior. Ele citou exemplos de países que receberam, por um período, um fluxo muito alto de capitais e logo em seguida entraram em crise.
Guido Mantega lembrou que a equipe econômica está atenta à valorização cambial e não descartou a possibilidade de novas medidas para garantir a estabilidade da moeda. "Nós estamos atentos a exageros. Acreditamos ser o suficiente mexer no IOF [o Imposto sobre Operações Financeiras]. Se necessário for, tomaremos mais medidas para garantir a estabilidade da moeda."
O ministro garantiu ainda o cumprimento da meta de superávit primário de 2,5% em 2009 e de 3,3% em 2010. Ele reafirmou que a economia brasileira vai crescer 5% em 2010 e que o país será uma das poucas economias do mundo que crescerá mais de 2%. Mantega voltou a citar a expansão do mercado interno como um dos fatores que contribuiu para a recuperação do Brasil diante da crise financeira internacional.
Mercado que salva
Em declaração também no seminário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu ao mercado interno a superação do Brasil diante da crise financeira internacional. Ele afirmou a empresários alemães e brasileiros que pela predominância da teoria do Estado mínimo, o sistema financeiro se deslocou do sistema produtivo e passou a ganhar dinheiro com a especulação.
"Nós tínhamos o que o mundo rico não tinha, um mercado interno virgem e esse mercado interno sustentado pela parte mais pobre não permitiu que a economia brasileira tivesse o mesmo prejuízo que as outras economias", disse o presidente, justificando a "apologia do consumo" feita no auge da crise.
Ele afirmou ainda que o sistema financeiro estava com uma "doença quase esquizofrênica" e que quebra do Banco Lehman Brothers revelou sua fragilidade. Lula fez um apelo para que seja fechado o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul para consolidar a superação da crise econômica.

