Marina Sarruf
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São Paulo – A Grendene, uma das maiores fabricantes de calçados do Brasil, deverá ter um distribuidor na Líbia nos próximos meses. Traders da companhia participaram dos últimos dias da Feira Internacional de Trípoli, que terminou ontem (12), onde fizeram quatro contatos possíveis de parcerias locais. “É uma negociação demorada, talvez teremos que voltar para cá para dar continuidade às negociações”, afirmou o trader Fabiano André Piccoli.
Os representantes brasileiros levaram para o evento 40 amostras de sandálias e chinelos das marcas Rider, Grendha e Ipanema. Segundo Piccoli, os calçados tiveram uma boa aceitação, pois a Líbia é um país muito quente e tem um período de inverno curto, o que contribui para demanda de sapatos arejados e confortáveis.
De acordo com o trader, há cinco anos a Grendene montou um plano de expansão no continente africano e a oportunidade de participar da feira junto com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira veio a calhar. “Já temos distribuidor no Marrocos, Argélia, Tunísia, Egito e todo Oriente Médio. Estamos agora tentando atingir os outros países africanos”, disse Piccoli.
Na sexta-feira, os representantes da Grendene visitaram diversas lojas e importadores de calçados em Trípoli. “Estamos voltando para o Brasil com contatos muito interessantes e o apoio da Câmara Árabe tem sido fundamental para a nossa busca”, disse Piccoli, que estava na feira com o secretário-geral da entidade, Michel Alaby, e o analista de Desenvolvimento de Mercado, Marcus Vinícius.
Além da Grendene, também estavam na feira representantes da JBS Friboi, do setor de carnes, e trading Global Beef, do mesmo ramo. De acordo com Marcus, o estande da Câmara Árabe na feira recebeu cerca de 80 visitas de empresários interessados em produtos brasileiros. A maioria dos contatos realizados foi do setor de alimentos, como carne, açúcar e café. Os empresários líbios também procuravam máquinas industriais, material de construção, móveis e maquinários para exploração de petróleo.
Segundo o analista da Câmara Árabe, os contatos realizados na feira vão ser computados no banco de dados do departamento de Comércio Exterior da entidade. Além de empresas da Líbia, o estande brasileiro foi procurado por empresas da Tunísia e Egito, que também estavam expondo na feira.
Paralelamente à feira, representantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e da Associação Brasileira de Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo) também estiveram na Líbia para uma série de encontros agendados pela Câmara Árabe.
O gerente de comércio exterior da Abiec, Márcio Caparroz, percebeu que ainda é preciso divulgar mais a carne brasileira no mercado líbio, principalmente o conceito de carne embalada a vácuo. Já o diretor-executivo da Abimo, Hely Maestrello, descobriu um grande mercado no país árabe que ainda não é explorado pelas empresas brasileiras.

