São Paulo – O grupo argelino Cevital vai construir uma siderúrgica em Marabá, no Pará, segundo informou o presidente da empresa, Issad Rebrab, ao presidente brasileiro, Michel Temer, em reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta terça-feira (08). “Decidimos construir um complexo siderúrgico para produzir 300,5 mil toneladas de aço num primeiro momento”, disse Rebrab à ANBA por telefone após o encontro com Temer.
A Cevital tem uma fábrica de produtos siderúrgicos na Itália, que originalmente pertencia ao grupo Lucchini, e é a segunda maior do país europeu, segundo Rebrab. Nesse sentido, a empresa argelina já tem know-how para atuar no setor, e a instalação em Marabá garante acesso fácil ao minério de ferro produzido pela mineradora Vale em Carajás, também no Pará.
De acordo com o executivo, o projeto de uma siderúrgica em Marabá foi idealizado pela própria Vale, mas acabou abandonado pela mineradora e agora será retomado pela Cevital. O objetivo é fornecer semimanufaturados e outros produtos de aço para os mercados europeu e argelino.
“Temos o mercado, a tecnologia e a matéria-prima”, destacou o presidente da companhia argelina. “A quase totalidade da produção vai para exportação”, acrescentou.
O grupo realiza estudos e pesquisa fornecedores para começar a construção. Segundo o empresário, as obras deverão durar três anos e podem gerar cerca de 10 mil empregos. Quando a fábrica estiver pronta, ele estima que serão gerados 2,5 mil postos de trabalho diretos.
“É um grande projeto”, ressaltou Rebrab, acrescentando que a usina irá ajudar a aquecer a economia de Marabá, agregar valor ao minério de ferro extraído no Pará e ampliar as exportações brasileiras.
O grupo Cevital tem 19 subsidiárias e atua em três grandes setores: indústria, automotivo e serviços, agroalimentar e distribuição.
Alimentos
O segmento de alimentos é uma das principais áreas de atuação do conglomerado que, de acordo com seu presidente, responde por 70% dos alimentos que o Brasil exporta para Argélia. São itens como açúcar, farelo de soja, óleos vegetais e milho. “Somos o principal cliente do Brasil no mercado argelino”, disse.
A Argélia, como outros países árabes, depende das importações para garantir o abastecimento de alimentos para sua população, e a Cevital investe no agronegócio brasileiro também, segundo o executivo, para garantir “a segurança alimentar do país”.
“Nós constatamos que para assegurar melhores condições de importação do Brasil é preciso investir aqui”, declarou. “E o nosso primeiro investimento é em logística”, afirmou.
A companhia pretende construir quatro terminais portuários para embarque de produtos agrícolas em Santarém, Miritituba, Vila do Conde e Marabá, todos no Pará. Rebrab informou que os terrenos para os empreendimentos já foram adquiridos.
Além disso, a empresa tem em Mato Grosso silos para armazenagem de grão para exportação à Argélia.
O empresário disse ainda que Temer “apreciou muito” as informações. Para Rebrab, a retomada econômica do Brasil vai facilitar a atração de investimentos estrangeiros.
De acordo com informações do site da Cevital na internet, o grupo faturou no ano passado 240 bilhões de dinares argelinos (US$ 2,17 bilhões pelo câmbio atual), teve um lucro líquido de 34 bilhões de dinares (US$ 308 milhões) e realizou investimentos de 33,9 bilhões de dinares (US$ 307 milhões). O conglomerado emprega 15.130 pessoas.


