Agência Brasil
Brasília – O Brasil recebeu nesta sexta-feira (21) 35 refugiados palestinos que estavam em acampamentos no deserto da Jordânia, na fronteira com a Síria e o Iraque, desde a queda do regime de Saddam Hussein. Chegaram ao Brasil quatro famílias com crianças e idosos: 25 pessoas foram para São Paulo e 10 para o Rio Grande do Sul.
Outros dois grupos serão trazidos no próximo mês e em novembro, totalizando 117 pessoas, que se submeteram a questionário formulado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O secretário-geral do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, disse que os palestinos terão os mesmos direitos de cidadania dos brasileiros. Receberão documento de identidade, passaporte – para o caso de desejarem deixar o Brasil – e terão acesso aos serviços públicos de saúde e educação.
"O Brasil acolhe muito bem o estrangeiro que chega aqui e se sente em casa. Até mesmo no que se refere ao idioma, pois o brasileiro sempre consegue se comunicar com o imigrante, até por mímica. Tudo isso faz com que eles, se sentindo à vontade, consigam se integrar mais facilmente. Aqui eles podem também exercer sua liberdade religiosa e usar as vestes tradicionais, sem serem discriminados", disse o secretário.
O representante no Brasil do Acnur, Luis Varese, informou que vai ser dada total assistência aos palestinos, de acordo com suas aptidões. Há entre eles, engenheiros, professores, comerciantes e marceneiros. Os chefes de família vão receber um salário mínimo por mês, a segunda pessoa da família 75% do salário mínimo e os demais 50% do salário mínimo por até dois anos, dependendo da adaptação deles no mercado de trabalho.
O Ministério da Justiça tem orçamento anual de R$ 680 mil destinado à assistência a refugiados. São repassados à organização não-governamental (ONG) Caritas do Brasil, que juntamente com a Associação Antônio Vieira (Asav) presta assistência a refugiados. As cidades para onde eles foram encaminhados não foram reveladas, a fim de evitar exposição pública.
O Brasil recebeu os refugiados como parte do Programa de Reassentamento Solidário, do Ministério da Justiça, que já atendeu vítimas de conflitos na Colômbia que não se adaptaram a outros países do continente. Existem atualmente no país cerca de 3.400 refugiados de 69 nacionalidades, a grande maioria do continente africano.

