Isaura Daniel
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São Paulo – O grupo de artistas Coletivo Madeirista, de Porto Velho, Rondônia, vai fazer um documentário que mostrará manifestações de artes de diferentes partes do mundo, entre elas do Marrocos. O grupo, formado por sete artistas, vai produzir, com verba do Ministério da Cultura, um vídeo digital de 12 minutos, que conterá desde poemas até imagens e filmagens feitas em vários países.
Segundo o coordenador do Coletivo Madeirista, Joesér Alvarez, o material será passado depois para película e divulgado mundo afora pela internet e festivais internacionais. O conteúdo do documentário virá das próprias experiências do Coletivo Madeirista e de artistas de vários locais com o qual o grupo vem mantendo contato e trocando informações nos últimos anos, como Estados Unidos, Portugal, Marrocos, Espanha e Tailândia.
Os rondonianos ganharam neste ano um prêmio de arte digital, o Digital Art Award 2007, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que tem por objetivo reconhecer iniciativas que aliam arte e tecnologia. O reconhecimento foi a um projeto de intervenção urbana chamado "Inventário das Sombras", desenvolvido há cerca de três anos pela equipe.
O projeto funciona mais ou menos assim: em vias públicas, artistas do Coletivo Madeirista pedem a transeuntes que deixem eles desenharem suas sombras na calçada. Enquanto riscam a sombra no chão, conversam com a pessoa sobre a sua relação com a arte e depois pedem que eles próprios a pintem. O processo é filmado e quem vira artista, no final, são os pedestres. "Estamos criando galerias de arte públicas", diz Alvarez. A experiência já foi feita em Porto Velho, São Paulo, Rio de Janeiro e Vitória, no Espírito Santo.
A idéia começou a ser desenvolvida pelos artistas de Porto Velho depois de uma oficina da Fundação Nacional de Arte (Funarte). Começou com quatro pessoas, mas já teve oito, vinte, agora sete. "São poetas, músicos, artistas plásticos, grafiteiros, ninguém de nós tem formação de academia", explica Alvarez. São pessoas do mundo afora, que têm experiências parecidas com o Coletivo Madeirista com arte, que farão parte do documentário. Eles enviam os seus trabalhos para o grupo via internet.
Os marroquinos, segundo Alvarez, entraram em contato, por e-mail, no mês de junho e devem enviar os seus trabalhos com intervenção urbana até o final deste mês para fazer parte do documentário. Eles fazem parte de um grupo chamado Upart, que é integrado por duas bailarinas de Casablanca e sete profissionais da área de artes de Tetuán. Algumas contribuições internacionais são de pessoas que fizeram, em seus países a pintura de sombras nas calçadas, a exemplo dos rondonianos.
O grupo do Marrocos ficou sabendo do Coletivo Madeirista porque estava prevista a participação dos brasileiros na Bienal de Sharjah, que ocorreu entre março e abril deste ano, nos Emirados Árabes Unidos. A participação aconteceria em função da premiação da Unesco. Por problemas burocráticos, porém, o grupo acabou não indo à mostra de artes do país árabe.
Contato
Coletivo Madeirista
Site: www.coletivomadeirista.tk
E-mail: coletivomadeirista@yahoo.com.br

