Da redação*
São Paulo – O Grupo de Cairns, formado por 19 países exportadores agrícolas, deve reformular sua proposta para retomar as negociações sobre a abertura do comércio internacional de produtos agropecuários na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A idéia é tornar a posição do grupo mais flexível em temas sensíveis, como os subsídios às exportações e acesso a mercados, permitindo assim que ocorram avanços nas discussões multilaterais sobre a liberalização do comércio agrícola.
A informação foi dada hoje (25/02) pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, por telefone, de San José, na Costa Rica, onde chefiou a delegação brasileira na 26ª reunião interministerial do Grupo de Cairns.
O Grupo de Cairns foi criado há 20 anos, na cidade de Cairns, na Austrália, com o objetivo de lutar pela eliminação dos subsídios as exportações agrícolas.
De acordo com o ministro, Cairns concordou ainda com a proposta brasileira de buscar uma maior aproximação com o G-20, formado por países em desenvolvimento que igualmente defendem uma maior abertura comercial agrícola.
Criado durante a reunião ministerial da OMC, em Cancún (México), no ano passado, sob a liderança do Brasil, o G-20 surgiu para tentar concentrar forças contra a pretensão dos países industrializados em continuar protegendo fortemente seus mercados, por intermédio da concessão de subsídios aos agricultores e às exportações e da adoção de sistemas tarifários e de cotas de importação, além de barreiras sanitárias nas áreas animal e vegetal.
Posição dos EUA
Durante a reunião de ontem em San José, o representante de comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, reiterou a disposição norte-americana de flexibilizar as negociações sobre o agronegócio, com ênfase na redução dos subsídios concedidos às exportações de produtos agropecuários. Zoellick é um convidado especial da reunião ministerial do Grupo de Cairns.
Porém, assinalou Rodrigues, os EUA condicionam a efetivação de sua posição à aceitação pela União Européia (UE) de também adotar medidas para diminuir os apoios internos.
O ministro considerou positivos os resultados da reunião. Os países membros de Cairns, revelou ele, vão responder até o final de março ou início de abril um questionário com 25 perguntas apresentado pelo Brasil.
O objetivo do documento é reavaliar a posição que o grupo deve assumir nas discussões sobre a abertura comercial agrícola a partir de agora.
Segundo o ministro, diante do novo cenário criado com a entrada da China na OMC, a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da UE, a mudança na lei agrícola norte-americana e o surgimento do G-20, Cairns poderá atualizar a sua proposta, elaborada há três anos. O texto com o novo posicionamento de Cairns deverá estar concluído até final deste semestre.
Os diplomatas dos dois grupos (Cairns e G-20), acrescentou ele, devem se reunir em Genebra (Suíça), no decorrer de março, para iniciar essa aproximação, visando a definir uma proposta comum em relação às políticas de apoio interno, estímulo às exportações e acesso a mercados. Na opinião do ministro, os dois grupos devem apresentar uma proposta flexível e pró-ativa, que permita um avanço efetivo nas negociações comerciais agrícolas na OMC.
* com informações da Assessoria de Comunicação Social do Mapa

